terça-feira, 12 de março de 2013

BATALHA DO JENIPAPO: HERÓIS ANÔNIMOS DO PIAUÍ.






Por Jefferson Rodrigues[1]


“Independência ou morte”! Este parece ser o grito que marca o processo de independência política do Brasil. Imortalizado pelas reproduções constantes nos livros didáticos e pela repetição continua nos discursos de professores do ensino básico no Brasil, esta frase deixa explícito uma falsa idéia de que fomos “civilizados” o bastante para nos emanciparmos da tutela portuguesa sem que houvesse uma gota de sangue derramada nas terras do Brasil. Ledo engano!

Em 7 de setembro de 1822, enquanto D. Pedro I seguia pelo interior do sudeste em uma viagem de “apaziguamento” dos ânimos políticos entre os colonos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, o então príncipe regente recebe uma mensagem urgente de seu conselheiro, José Bonifácio, e da princesa Leopoldina, sua esposa. Nesta mensagem estavam expostas as novas determinações das Cortes de Lisboa, entre elas a destituição de D. Pedro I da função de príncipe regente, rebaixando-o a condição de mero delegado das autoridades de Lisboa. Diante desta ameaça, José Bonifácio aconselha: “Senhor, o dado está lançado e de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores”[2]. O Príncipe regente se vê obrigado a tomar decisões rápidas, pois de um lado vê-se afligido pelas ameaças da Corte de Lisboa, do outro brasileiros que decidiram não mais voltar à condição colonial e muito menos ver restabelecidos os privilégios advindos do famigerado “Pacto Colonial”.

Assim as margens do Riacho do Ipiranga, localizado a cerca de 60 Km da cidade de São Paulo, D. Pedro I  proferiu a seguinte frase: “É tempo! Independência ou morte! Estamos separados de Portugal!”[3] , conforme conta o Alferes Canto e Melo, integrante da comitiva que acompanhava o herdeiro do trono português. Poderíamos concluir afirmando: foi um final feliz. É realmente poderíamos, mas em história não é bem assim! Este foi o quadro que de maneira geral está pintado na memória coletiva do brasileiro, e que serviu, nas palavras dos historiadores Erick Hobsbawn e Terence Ranger (1984), para inventar uma tradição de independência, afinal, “muitas vezes, ‘tradições’ que parecem ou são consideradas antigas são bastante recentes, quando não são inventadas”[4]. Muita água teria que passar embaixo da ponte da independência, neste caso, muito sangue seria derramado para que se consolidasse a tão propagada independência do Brasil.

Muitos conflitos ocorreram nos meses que seguiram o 7 de setembro de 1822. Tivemos lutas nos mais distantes rincões do Brasil, mas especialmente no Norte do país (Piauí, Maranhão e Pará), pois estas províncias a “mão” de Lisboa parecia acalentar com “maior afago” do que a da corte no Rio de Janeiro. Entre estas províncias do Norte, estava uma quase esquecida, que para o historiador piauiense Odilon Nunes (2007, p.51-62), sempre foi uma “terra de passagem”, desde os povos pré-colombianos, perpassando por todo o período que antecede a efetivação administrativa da Capitânia do Piauí em 1758 com o governador João Pereiras Caldas e ainda em grande parte do período imperial.

Entre as elites provinciais do Piauí parecia reinar o desejo por manter-se unido a Portugal, porém as notícias da independência já ecoavam por esta região, especialmente em Parnaíba (Litoral piauiense), Oeiras (então capital) e Campo Maior. Devido a importância estratégica da província, desde 1820 a Coroa portuguesa enviava munições para o Piauí e destinava um maior grau de preocupação para esta região. Tal cuidado torna-se ainda mais evidente quando em 18 de agosto de 1821 chega a capital da província um dos mais condecorados heróis militares portugueses, era o então major João José da Cunha Fidié. Ele exerceria o cargo de Governador das Armas do Piauí, responsável por manter a ordem e unidade provincial, ao tempo em que a sua presença seria uma excelente estratégia para conter possíveis revoltas no Norte do país. Estas atitudes mostram que a Coroa portuguesa já vislumbrava no horizonte nuvens densas que poderiam pairar sobre a colônia do Brasil. Parecia que tais previsões não seriam tão vagas assim!

Após o grito de independência ser dado no Sul, já em 19 de outubro de 1822 na cidade de Parnaíba, “no Paço da Câmara, os eleitores da Paróquia proclamaram a Regência de Dom Pedro, a Independência do Brasil e sua união com Portugal e as futuras cortes constituintes do Brasil”[5], assim descreve o historiador piauiense Monsenhor Chaves, a primeira adesão ao movimento pelos piauienses. É claro que este movimento, liderado por militares e intelectuais como Cel. Simplicio Dias e Silva e o juiz João Candido de Deus e Silva, não ficaria imune as investidas de Portugal. A estas alturas o sentimento de independência havia chegado até a cidade de Campo Maior (localizada a cerca 260 km de Parnaíba) e por lá já havia as primeiras movimentações no sentido de adesão a emancipação. Porém, a vila mantinha-se fiel ao governo português sendo inclusive responsável por delatar ao Major Fidié a carta que haviam recebido de Parnaíba informando a adesão e convidando a câmara de Campo Maior a também aderir a causa de D. Pedro I.

Em posse dessas informações Fidié reuniu tropas, compostas por cerca de 1.800 soldados treinados[6]. Todos estes militares marcham em direção a cidade rebelada e segundo Monsenhor Chaves (1998) “o comandante português levava a intenção de fazer Campo Maior o centro das operações contra a rebelde Parnaíba”[7]. As tropas seguem de Oeiras no dia 13 de novembro de 1822 e em sua bagagem levam munições, pólvoras, canhões, cavalos e todo material disponível na província capaz de dominar física e psicologicamente todos os moradores das “terras Mafrense”. Em compensação deixavam para trás uma capital sem proteção e que entre seus ilustres habitantes já eclodia o desejo de liberdade. Entre eles estavam fazendeiros/militares ansiosos em galgar postos mais elevados na administração da província, como era o caso do Brigadeiro Manoel de Sousa Martins, que nas palavras de Monsenhor Chaves (1998, p. 437) teria traçado uma carreira meteórica e estava ávido por novas conquistas.  Diante de conspirações e ameaças de invasão de tropas fiéis a D. Pedro I, em 24 de janeiro de 1823, enquanto as tropas de Fidié ainda encontravam-se em Parnaíba, mantendo a “paz” na Vila, Manuel de Sousa Martins em companhia de homens fiéis à suas ideias tomam posse da administração e aderem ao movimento de emancipação do Brasil.

Em 18 de dezembro de 1822, chegam a Parnaíba as tropas comandadas pelo Major Fidié. Na vila localizada a 660 km de Oeiras já não havia mais movimentação emancipacionista, pois sob ameaças das tropas Portuguesas, os primeiros revoltosos fugiram para o Ceará por saber do grande perigo que circundava a cidade. Contudo, não fugiram por covardia, antes por estratégia que se mostraria eficaz nos meses seguintes. Enquanto Fidié controlava a Vila, a câmara daquela localidade viu-se obrigada a jurar fidelidade ao governo português. No entanto, com a informação do levante em Oeiras (em 24 de janeiro de 1823), Fidié, decide então retornar a capital e tentar debelar o movimento “rebelde”. Diante de tanta movimentação, entra em cena o capitão Luís Rodrigues Chaves que convocou os piauienses, mais de mil, a que se juntaram 500 cearenses, uns e outros mal armados de foices, espadas, chucos, facões e velhas espingardas de caça. Fidié desconhecia o número das forças inimigas, entretanto não ignorava que tinha de enfrentar matutos sem disciplina nem instruções militar, mas dispostos a morrer pela causa da Independência. Outro nome valente que deve ser lembrado neste luta é do piauiense Leonardo de Carvalho Castelo Branco, que anteriormente havia fugido para o Ceará. Agora comandando uma Divisão militar, rumou em direção a vila de Piracuruca e posteriormente seguiu para Campo Maior, com a intenção de render a guarnição fiel a Portugal e decretar  adesão total do Piauí ao movimento do Ipiranga.

É neste contexto onde as tropas de Fidié seguem em direção a Oeiras ( Sul do Piauí) e as do capitão Luis Rodrigues Chaves - formadas por piauienses e cearenses - permanece no “meio do caminho”, ou seja, na cidade de Campo Maior (centro-Norte do Piauí) que acontecerá a maior batalha em prol da independência do Piauí, as margens do riacho do Jenipapo em Campo Maior. Para a professora Claudete Dias (2011) “a batalha foi o resultado de embates entre o poder português e a população sertaneja Piauiense, que se uniu a Cearenses e Maranhenses a fim de expulsar do Piauí o major João José da Cunha Fidié , comandante das Armas e governador da capitania”[8]. Assim, teria inicio um combate que marcaria a história do Brasil e especialmente do Piauí, pois aos 13 dias do mês de março de 1823 estas duas tropas se encontram e travam uma memorável Batalha.

Não podemos esquecer as condições desleais em que se encontravam as tropas Cearense e Piauiense, mas especialmente estes últimos que seguiram para a Batalha da seguinte forma, conforme apresenta o historiador Abdias Neves: “As poucas espingardas tinham sido distribuídas aos cearenses. Os piauienses, estes conduziam velhas espadas, chuços, machados, foices”[9]. Para completar este quadro complexo, do lado português estavam homens treinados e preparados para o embate, do lado brasileiro estavam apenas poucos soldados e a grande maioria sertanejos sem treinamento militar, mas munidos de um heróico fervor em defender suas terras e a idéia de nação independente do jugo que as Cortes queriam novamente impor sobre o Brasil.

Foi uma Batalha sangrenta! Para historiadores como Odilon Nunes (2007, p. 64-65) e Monsenhor Chaves (1998, p.309) esta batalha durou das nove horas da manhã até às quatorze horas, onde camponeses desprovidos de armas de fogo, mas municiados de muita coragem lutaram até que não houvesse mais forças em seus corpos. Ao final o previsível aconteceu: os portugueses venceram! É isso mesmo, perdemos a batalha, mas a guerra estava prestes a ser vencida! As tropas piauienses tiveram cerca de quinhentos presos e  sendo estimados em duzentos ou mais mortos e feridos. Para Fidié as baixas de efetivo foram reduzidas, não ultrapassando sessenta o numero de feridos e cerda de vinte militares mortos. Surge a interrogação: onde esta a importância desta Batalha?

A maior vantagem desta batalha está nas conseqüências do combate. Ao termino da luta o campo de batalha estava repleto de armas e munições abandonadas pelos portugueses. Através de guerrilhas os piauienses seguiram as tropas de Fidié nos dias que seguiram e subtraíram armas, pólvora, dinheiro, munições, enfim, deixando o acampamento dos portugueses dilacerado, sem condições de continuar sua marcha em direção a capital piauiense, Oeiras. Desta forma, Fidié, fugiu para o Maranhão, para a cidade de Caxias. Em solo maranhense os piauienses teriam sua glória, pois “o Maranhão foi literalmente invadido, e após 15 dias de um audacioso cerco à cidade de Caxias pelas forças independentes de aproximadamente 6.000 homens do Piauí, do Maranhão e do Ceará, ocorreu o combate no Morro das Tabocas, com a rendição do Major Fidié, faminto e desarmado. Preso, foi enviado para o Rio de Janeiro e depois para Portugal, onde foi recebido como herói”[10].

Tudo começou com heróicos sertanejos, audaciosos piauienses que não levando em conta sua condição militar limitada ou até mesmo inexistente, doaram suas forças, energias e vida em prol da causa da Independência do Brasil. Precisamos reconhecer a importância histórica do 13 de março de 1823, pois esta foi a data que consolidou no Norte do Brasil a Independência, gerando unidade à nação brasileira tão almejada pelos “pais” da independência do Sudeste do Brasil. Por esta razão os piauienses destacam a importância desse evento com um memorial na Cidade de Campo Maior e com exibição da data 13 de março em sua bandeira estadual.








[1] Graduado em História e especialista em Estado, Movimentos Sociais e Cultura pela Universidade Estadual do Piauí.
[2] BONIFÁCIO apud GOMES, 2010, p.35
[3] CANTO e MELO apud GOMES, 2010, p. 37
[4] HOBSBAWN; RANGER, 1984, p. 9
[5] CHAVES, 1998, p.271
[6] Conforme apresenta a professora Claudete Maria Miranda Dias em seu artigo, Entre foices e facões, 2011, disponível em: < http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/entre-foices-e-facoes>, acesso em 12 de março de 2013.
[7] CHAVES, 1998, p.273
[8]DIAS, 2011, disponível em: < http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/entre-foices-e-facoes>, acesso em 12 de março de 2013.
[9] NEVES apud CHAVES, 1998, p. 308
[10] DIAS, 2011, disponível em: < http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/entre-foices-e-facoes>, acesso em 12 de março de 2013.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SOCORRO! FIZERAM MACUMBA PRA MIM!



 Por Renato Vargens
Outro dia um amado irmão em Cristo me procurou preocupado dizendo: "Pastor, fizeram macumba para mim, será que pega?"
Pois é,  é muito comum ouvirmos pelas esquinas das nossas cidades a seguinte expressão:- “Minha vida está um verdadeiro caos! "Acho que estou sendo vítima de macumba” Ora, por si só esta frase é suficiente para desequilibrar a vida de muita gente, até porque, o brasileiro além de místico é extremamente supersticioso.
Como pastor, sou comumente abordado por alguns crentes que apavorados me perguntam:- Será que mal olhado, mandingas, trabalhos encomendados podem causar danos na vida do crente? Ai meu Deus pisei num trabalho de feitiçaria numa encruzilhada, o que será de mim? Estou apavorado! Colocaram o meu nome na boca do sapo!
Caro leitor, ainda que não despreze a realidade do mundo espiritual, nem tampouco as artimanhas do inimigo de nossas almas, não vejo o porque de nos amedrontarmos diante de possíveis obras de feitiçaria. As Sagradas Escrituras afimam categoricamente que Satanás não pode possuir o cristão autêntico, o qual é morada do Espírito Santo. Além disso, a Palavra de Deus é absolutamente clara ao ensinar de que o crente em Jesus é propriedade exclusiva de Deus, o qual não pode em hipótese alguma ser violado pelo diabo.
A Bíblia enfatiza que aquele que está em Cristo, está incólume à possessão demoníaca. É importante que entendamos, que antes de Cristo entrar em nossas vidas, éramos por natureza filhos da ira, dominados pelo mundo, pela carne e pelo diabo e estávamos debaixo do juízo de Deus (Ef 2.1-3); agora, fomos perdoados e aceitos pelo Senhor, adotados como filhos em Cristo; eliminando definitivamente toda condenação existente contra cada um de nós (Rm 8.1).
Em virtude disto, Satanás já não tem mais qualquer autoridade ou direito sobre as nossas vidas.Vale a pena ressaltar de que em dias onde heresias têm se multiplicado drasticamente em nossos púlpitos, torna-se necessário ensinarmos acerca da relação que o crente desfruta com Deus.
O fato de estarmos em Cristo nos torna livres de pragas, maldições, encostos, maus-olhados, "olho gordo", despachos e , trabalhos de macumbaria.Louvado seja o Senhor pela sua infinita graça, pelo perdão dos pecados e pela salvação eterna! Somos de Cristo, pertencemos a Cristo e o maligno não nos toca!


Soli Deo Gloria!

Renato Vargens- direto do blog renatovargens.blogspot.com

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

CARNAVAL, O ÓPIO DO POVO!



Chegou o Carnaval! Muitos festejam, alegram-se e falam aos “quatro ventos” que esta é a maior festa popular do mundo! Seria tudo de bom, se não trouxesse tantas coisas negativas! Darei algumas razões para que rejeite o carnaval, vejamos:
1.   A Palavra de Deus condena. Poderíamos citar inúmeros textos sagrados que condenam as práticas carnavalescas, como por exemplo, a lúxuria, a vaidade, a promiscuidade e, sobretudo a exaltação de tudo que significa sexo. Deixarei, porém, apenas um texto bíblico que nos diz: “Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções, e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gálatas 5. 19-21). Eis aí todo o repertório do carnaval celebrado em todo Brasil!
2.   Desvaloriza os brasileiros, em especial a mulher. Neste período, mais do que em qualquer outro do ano, a mulher brasileira é apresentada como um objeto de desejo sexual, pronto a ser consumido por turistas do mundo todo. Até mesmo o governo ajuda na formação desta imagem, quando em suas propagandas turísticas apresenta a famosa mulata brasileira, semi-nua, representando a mulher brasileira. Infelizmente esta imagem apenas acentua a impressão que os estrangeiros têm dos brasileiros, onde nos julgam como um país de sexo fácil, pouco trabalho e eternos malandros! Neste sentido a palavra de Deus nos orienta: “Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.” (Provérbios  31:10). Este deve ser o verdadeiro valor de uma mulher, ser virtuosa e cosiderada mais preciosa que rubis, e não apenas um objeto de satisfação sexual. Pense nisto.
3.   É o retorno da política “pão e circo”. Prática amplamente utilizada pelo Império romano, tendo como finalidade acalmar a ira do povo contra os desmandos políticos que corroíam o império, tal política tornava-se clara com a distribuição de pedaços de pães nas arenas romanas, enquanto a platéia extasiada contemplava a morte de guerreiros, leões, e por fim milhares de cristãos. Hoje podemos ver que enquanto o país não consegue acabar com a fome, a pobreza, a criminalidade e a corrupção que destrói nossa nação, a Grande Mídia, financiada pelo governo, mostra-nos uma imagem de perfeição, maquiando inclusive os números reais de crimes que acontecem nos grandes centros carnavalescos, como na Bahia e no Rio de Janeiro. Parafraseando a canção popular, podemos dizer: “isto tudo acontecendo, e MUITOS ALI na praça dando milho aos pombos [...]”
4.   É uma falsa alegria. Ainda que muitos digam que é festa e alegria, não podemos negar que é uma ilusão. Podemos dizer assim como disse Karl Marx (parafraseando o nobre comunista, é claro): “O ‘CARNAVAL’ é o ópio (droga) do povo”! Entorpece os sentidos e por um momento apenas, parece haver alegria plena. Mas como um entorpecente, na quarta feira o efeito passa e nada terá mudando em sua vida, tudo estará como antes ou ainda pior. A verdadeira alegria não se baseia em sentimentos passageiros que se evaporam juntamente com o suor e o álcool do organismo. A verdadeira alegria baseia-se em saber que mesmo passando por dificuldades, a esperança se renova, pois temos um Senhor que nos prometeu: “[...] eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”(Mateus 28.20). Este Senhor nos garante que tribulações virão, mas Ele nos dará a vitória (João 16.33), por isto aguardamos a verdadeira alegria, onde não haverá mais choro, nem dor, nem morte e tudo se fará novo! (Apocalipse 21)
Em meio a tudo o que vemos neste período, deixo um conselho sábio da Palavra de Deus: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.” (Filipenses 4.8)

Alegremente em Cristo,

Jefferson Rodrigues.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

A REALIDADE DO INFERNO A LUZ DAS ESCRITURAS



Por Jefferson Rodrigues

A pós modernidade trouxe como conseqüência de suas filosofias a idéia de que ninguém possui uma verdade absoluta, por conta disto todas as religiões apontam o caminho para uma felicidade. Esta afirmação “politicamente correta” traz nas entrelinhas a idéia de que o inferno não existe, ou seja, não haverá condenação para aqueles que rejeitaram a verdade de Cristo (Jo 5:24; 8:32). Esta linha de pensamente vinda do meio secular não seria estranha, o grande problema é que existem “Cristãos” que também negam uma das doutrinas mais claras ensinadas por Jesus (Mt 13:49,50; 25:41; Lc 16:19-31). Negar que o inferno é real seria o mesmo que negar os ensinos de Jesus a respeito de toda a Escritura.

Jesus é o maior ensinador desta doutrina (Mt 5:29,30; 10:28; Lc 12:5), porém outros escritores sagrados nos falam da realidade deste lugar preparado “para o diabo e seus anjos” (Mt 25:41), mas que tornou-se o lugar de todos que negam ao Senhor Jesus. Paulo ao escrever aos Tessalonicenses afirmou que haveria uma eterna separação de Deus (2 Ts 1:7-9). Pedro da mesma forma escreve, que Deus lançou os anjos que pecaram em cadeias e que somente o Senhor poderá nos livrar deste destino terrível e eterno (2 Pe 2:4,9). Judas reforça esta idéia ressaltando que aqueles que vivem imoralmente terão como destino este lugar terrível (Jd v. 12,13). Por fim, João, no Apocalipse, por diversas vezes apresenta o inferno como destino final de todos aqueles que rejeitaram a mensagem da Cruz (Ap 14:10,11; 19:20; 20:10, 11-15). Por todos estes testemunhos da Palavra não podemos negar a realidade do inferno.

A história do cristianismo também apresenta a realidade do castigo eterno. Desde os pais da Igreja, como Irineu, Tertuliano, Justino Martin e outros servos de Deus do século II d.C., já defendiam a doutrina do castigo eterno. Não foi diferente durante a reforma, onde sábios homens de Deus como Lutero e Calvino também aceitavam a idéia do lugar de tormento. Vejamos o que nos diz o reformador Martinho Lutero (séc. XVI) sobre esta realidade:
A fornalha ardente é acesa simplesmente pela insuportável aparição de Deus e dura eternamente. Pois o Dia do Juízo Final não irá durar apenas um momento, mas irá permanecer através da eternidade e, portanto, nunca irá terminar. Constantemente os pecadores serão julgados, constantemente eles irão sofrer dor e constantemente haverá uma fornalha ardente, isto é, eles serão torturados por uma suprema aflição e angústia[1]

Por fim, devemos ver os testemunhos de mestres do período pós-reforma, tais como John Wesley (1703-1791); Charles Spurgeon, considerado o “Príncipe dos pregadores” (1834-1892); C.S. Lewis(1898-1963) e outros. Todos concordavam que o Deus justo e santo tem reservado um local onde o homem sem Deus será conduzido para viver eternamente. Charles Spurgeon descreve este pensamento ao dizer:
Quando a eternidade tiver completado um numero absolutamente grande de seus ciclos eternos, ele ainda estará morto. Nunca conhecera o fim, pois a eternidade não pode ser excluída, a não ser na própria eternidade. No entanto, a alma ainda vê escrita sobre a sua cabeça a frase “Estas condenado para sempre”. Ouve uivos que serão perpétuos; vê chamas que não se apagarão; sente dores que não podem ser mitigadas; ouve uma sentença que não soa como o trovejar da terra e que logo será abafada— mas esta a frente, a frente, a frente, abalando os ecos da eternidade, fazendo com que milhares de anos se agitem novamente com o horrível trovejar do seu terrível som — “Aparte-se! Aparte-se!Aparte-se! Maldito!” Essa e a morte eterna[2]
Por todas estas razões podemos dizer que o inferno é real e será um lugar de sofrimento eterno, de eterna separação entre o Deus eterno e o homem ressuscitado para suportar esta eternidade longe de Deus (Ap 20:15).

Definições de inferno das Escrituras e suas características

 A Bíblia apresenta o inferno por alguns nomes específicos a seguir veremos as principais formas como este terrível lugar é apresentado nas Escrituras.    Há pelo menos quatro palavras para "inferno" na versão corrigida. Destas quatro, só uma é usada no Velho Testamento. É a palavra hebraica "Seol". No Novo Testamento as outras três palavras para "Inferno" são: "Hades", "Geena" e "Tártaro"; todas naturalmente são palavras gregas. Hades e Seol são duas palavras que descrevem o estado consciente em que ficam os mortos aguardando o Dia da Ressurreição. 

Para a finalidade deste estudo, iremos no ater a palavra que descreve o inferno final ou lago de fogo. Para descrever este lugar terrível, a Bíblia utiliza a expressão de origem hebraica “Geena”. Severino Pedro nos dá uma visão mais abrangente sobre esta expressão:
A palavra “geena” é composta por duas palavras hebraicas: “gê”, que significa “um abismo” e “hinnom”. Ambas as expressões juntas significam “O Abismo ou Vale do Filho de Hinom”. Literalmente falando, refere-se a uma depressão profunda situada ao sul de Jerusalém (Rs18.16). O expressivo “geena” é originado de uma raiz aramaica obsoleta que significa “lamentação” (cf. 2 Rs 23.10). Era 0 lugar do culto a Moloque, a quem os reis Acaz e Manassés sacrificaram seus filhos (2 Cr 28.3; 33.6). Josias, o rei reformador, declarou ser este lugar imundo (2 Rs23.10), onde era queimado lixo lançados os cadáveres (Is 66.24; Jr 31.40). Por isso, “geena” é o nome grego para o Vale do Filho de Hinom. Esse era lugar de fogo, morte e aflição.[4]

Geena é a expressão pela qual o Novo Testamento se refere ao inferno final. Geena é sempre o inferno final, onze das dez vezes em que é usada, foi pronunciada pelo próprio Jesus Cristo. Aqui está uma lista com as passagens onde a palavra Geena aparece: Mateus 5:22, 5:29, 10:28, 18:9, 23:15, 23:33; Marcos 9:43, 9:45, 9:47; Lucas 12:5; Tiago 3:6.  Com base no entendimento geral, tanto do significado do nome Geena, como das aplicações feitas pelo próprio Jesus podemos entender que o inferno será: Lugar de juízo Divino (Sl 9:16-17), Lugar de angústia (Sl 116:3), Lugar de separação eterna de Deus – perecer (Mt 10:28), Lugar de condenação (Mt 23:33), Lugar de tormento eterno (Mt 25:41,46), Lugar onde o fogo nunca se apaga (“geena”); (Mc 9:43), Lugar de escuridão, pois Deus não estará lá (2 Pe 2:4; Ap 22:5) e Lugar de eterno ardor e dor (Ap 19:20).

O inferno terá fim? Defensores da doutrina do aniquilacionismo, como Adventistas do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová defendem que Deus não deixará ninguém sofrendo eternamente. Estes pensadores fazem esta afirmação ao tempo em que negam os ensinos da própria Escritura. Jesus referindo-se ao destino final dos homens declarou: "E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25:46). Percebam que este texto proferido pelos lábios do próprio Senhor Jesus define o tempo que irá durar a vida e o tormento, serão ETERNOS! O termo grego usado na tradução de ambas as expressões é “aionion” que significa ETERNO. O Dr Radmacher esclarece esta questão ao dizer que “Eterno é usado para descrever tanto o sofrimento quanto a vida, mostrando que ambos terão a mesma duração”[5]. Assim, se não haverá este castigo eterno, também não haverá a vida eterna!

As pessoas terão consciência do sofrimento? Pela Bíblia é mais que evidente que todos ali estão conscientes (Lc 16:19-31). Podemos apresentar algumas razões para defendermos esta consciência, vejamos:

1)    Será um lugar onde haverá “pranto e ranger de dentes” (Mt 8:12; 22:13; 24:51). Jesus falou repetidas vezes que haveria pranto, ou seja, grande angustia. Como estas pessoas poderiam estar tão aflitas se não estariam conscientes? A resposta a esta questão só pode ser que estarão conscientes deste sofrimento!

2)    Jesus descreve a situação de um homem rico que estava em tormento na eternidade (Lc 16:19-31). Nesta história vemos um homem rico que se envolveu nas coisas desta vida e esquece-se do porvir. O resultado foi muito sofrimento e total consciência, inclusive desejando avisar aos seus familiares sobre a situação do por vir (vv.27-29)

3)    A Besta e o Falso Profeta estarão conscientes depois de mil anos (Ap 19:20; 20:10). A Bíblia nos diz que eles foram lançados vivos no “ardente lago de fogo e de enxofre”(Ap 19:20), antes do Milênio. Passados os mil anos o Diabo também foi condenado e lançado no mesmo local e o texto sagrado nos diz que: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”(Ap 20:10). Percebam que o texto diz que eles AINDA ESTÃO no lago de fogo e encontram-se conscientes, pois de que outra forma poderiam ser atormentados para todo sempre?


Poderíamos nos estender ainda mais neste tópico, porém achamos suficientes os pontos aqui expostos. Alertarmos a todos que o INFERNO É REAL e, portanto, devemos seguir fieis ao Senhor até o fim! 

 Livre desta condenação por Cristo,

Jefferson Rodrigues


[1] LUTERO citado por GEISLER, 2010, p. 775
[2] SPURGEON citado por GEISLER, 2010, p. 777
[4] SILVA, 1998, p. 168
[5] RADMACHER, 2010, p.77