quinta-feira, 31 de outubro de 2013

496 ANOS DE REFORMA! SERÁ QUE PRECISAMOS DE OUTRA REFORMA?

Por Jefferson Rodrigues
    Em 31 de outubro de 1517, na Alemanha, um monge da ordem agostiniana de nome Martinho Lutero, iniciaria, um movimento que mudaria de vez a história da cristandade ocidental, a Reforma Protestante. Como pilar básico deste movimento estava o retorno às Escrituras e a simplicidade do Evangelho de Cristo.
     O tempo passou e hoje comemoramos 496 anos desta luz que raiou sobre as trevas medievais. Contudo, no contexto em que foi desenvolvido o movimento evangélico brasileiro, poucos cristãos, especialmente os ditos "gospels, possuem algum conhecimento do movimento que deu origem ao cristianismo protestante atual. Neste sentido, não só perdemos a memória de nossa história, como enveredamos por vários caminhos que distorceram a Verdade genuína de Cristo.Veja esta triste campanha criada pela IURD(Igreja Universal).
Lutero e Calvino teriam preferido a morte a ver isto ser chamado de igreja

       Com base nisto, procurarei apresentar de forma sucinta os 5 pilares sobre o qual se desenvolveu a fé Evangélica Protestante (principalmente o Calvinismo), da qual me considero herdeiro e propagador na atualidade(espero que vocês também!).
Os 5 pilares ficaram conhecidos como SOLAS, expressão de origem latina, que significa somente, só, ou unicamente. As “5 solas”, são: SOLA ESCRIPTURA, SOLA CHRISTUS, SOLA GRATIA, SOLA FIDE, SOLI DEO GLORIA. Veremos então, de forma resumida, o que cada uma destas “solas” representou para  a formação do pensamento Bibliocêntrico dos protestantes.
SOLA ESCRIPTURA: Este ponto ressalta a Palavra de Deus como ÚNICA fonte de autoridade para o Cristão (João 14.13;17.17; 2 Timóteo 3.16). Este posicionamento retira de cena a autoridade de qualquer dogma, tradição ou determinação humana que não seja centrada na Bíblia Sagrada. Portanto, nada que um “super ungido” dos tempos atuais disser valerá apena ouvir se contradisser os ensinos bíblicos, assim como foi com o Vaticano em 1517 na era da Reforma!
SOLA CHRISTUS: Somente Cristo (João 1.43-45; 14.6; Atos 3.18; 17.2-3; II Tim. 3.14-15; I Ped. 1.10-12; Rom. 1.1-3; 16.25-27)!Este deve ser o centro da mensagem cristão. Sem mediadores ou medianeira, sem falsos Evangelhos onde o homem é o centro. Somente Cristo! Sem rodeios ou enfeites. A mensagem da Cruz é o centro!
SOLA GRATIA: Aponta para a infinita misericórdia de Deus, onde somente a sua Infinita Graça nos constrange e nos aproxima de Deus (Ef 2.8,9). Somos salvos, unicamente pela Graça! Não precisamos de sacrifícios, ou de indulgencias modernas, oferecendo grandes ofertas para herdamos as bênçãos de Deus. Somente a graça de Deus nos é necessária, por isso disse o Senhor: “ a minha Graça de basta!(2 Coríntios 12.9)”
SOLA FIDE: Este artigo destaca a fé como único mecanismo de salvação do homem. A Declaração de Cambridge assim define: “Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.( Salmos 84:12, Isaías 64:6, II Crônicas 20:20, Mateus 7:22-23, Lucas 5:20, Lucas 18:10-14, Lucas 23:40-43, João 3:16, João 3:18, João 6:28-29, João 5:24, João 6:40, João 6:47, Atos 10:43, Atos 16:31, Apocalipse 14:12-13)
SOLI DEO GLORIA: Tudo deve ser feito para a Glória de Deus (Jeremias 24.7; Lucas 2.14; Atos 12.23; Romanos 4.20;11.36)! O culto, o trabalho, e toda obra deve ser centrada para agradar a Deus e não aos homens. Assim nos diz a Palavra de Deus: Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém”(Romanos 11.36). Assim deve ser nossa obra, TUDO DEVE SER PARA ELE. De nada adianta ter em nossos templos, todos os recursos, se contudo, não centrarmos para o Louvor e engrandecimento do Senhor Jesus. A mesma Declaração de Cambridge nos diz: Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.” Parece que vejo a tal da Teologia da prosperidade sendo alvo deste artigo, pois para tais pregadores a Glória deve ser dada aos homens e tudo, em todo tempo deve ser voltado para a satisfação pessoal!
Ao fazermos esta breve analise sobre as “5 Solas”, podemos perceber o quanto estamos distante dos princípios que nortearam a fé Evangélica e Bíblica. Que o Senhor abra nossos olhos e possamos retornar ao Evangelho baseado na Palavra de Deus!


Por uma nova Reforma,
Jefferson Rodrigues

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

VIDEO COMPLETO: A ERA VARGAS POR BORIS FAUSTOS





Dica do Professor Jefferson: Devido a proximidade do ENEM e de outros vestibulares decidi postar este documentário sobre um importante período histórico do Brasil: A Era Vargas. Lembrando que este documentário é exibido por um grande historiador brasileiro, Boris Fausto. Não teremos o que reclamar de sua aula! Boa sorte e estude sempre mais!

domingo, 4 de agosto de 2013

POLÊMICA: O CRISTÃO E O LIVRE ARBÍTRIO.


Texto base: “e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”(João 8:32).
Desde o século XVII temos contemplado diversas polêmicas a respeito desse tema e isso tem levado um grande número de jovens a entrar em conflito, pois se deparam com o seguinte questionamento: Afinal tenho ou não o livre arbítrio? Para responder a essa questão tentaremos de forma simples apresentar a vocês algumas abordagens bíblicas que poderá esclarecer algumas dúvidas a respeito do tema.
  • No Príncipio:
Deus criou o homem um ser perfeito a sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27), e já que ele era semelhante ao Criador, Dele também herdou a liberdade, prova disso é o que o Senhor disse a Adão e Eva: “…De toda a arvore do jardim comerás livremente, mas da arvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás…”(Gênesis 2.16,17). Este versículo mostra que o Senhor não criou o homem como uma máquina, pois Ele determinou ao homem o que ele deveria fazer (v.16), mas o homem por sua decisão livre desobedeceu a Deus (Gênesis 3.6) e a partir desse momento passou a ser influenciado pelo pecado e não gozava mais da semelhança do Senhor, pois o Senhor é Santo e não há pecado Nele (Isaias 59.2; I Pedro 1.15), passando assim a não mais gozar de plena liberdade, pois a natureza pecaminosa lhe direcionava os passos a ponto se encontrarem nesta situação: “A terra estava corrompida diante da face de Deus: e encheu-se a terra de violência” (Gênesis 6.11). E assim permaneceu o homem escravo do pecado por um longo período, pois mesmo o homem tendo diante de si a escolha da benção (Deuteronômio 30.19), ele sempre se direcionou para a maldição, a ponto do Senhor não encontrar um justo sequer (Romanos 3.10). Um ponto intrigante a ser discutido é se neste momento o homem tinha ou não a liberdade de escolha, pois é notório que ele sempre fazia o que era desagradável a Deus. Basta a você ter em mente que Deus lhe deixou livre para escolher ou tomar decisão: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”(Js 24.15), note que Deus não lhe retirou o direito de escolher ou seja seu livre arbítrio, porém o pecado influenciava aqueles homens, impedindo que servissem ao Senhor e por mais que tentassem nada poderiam fazer para se livrar desse peso, porque há coisas que são impossíveis aos homens, mas não à Deus (Mateus 19.26), mesmo a Lei não foi capaz de livrar o homem dessa escravidão, por que se assim o fosse Jesus não teria oferecido liberdade a aqueles que já viviam debaixo da Lei (João 8.32,37). Assim entendemos que antes que Jesus cumprisse sua missão aqui na Terra, o homem gozava da liberdade de escolha (Deuteronômio 30.19; Josué 24.15; I Samuel 12.14,15; I Reis 18.21), porém suas obras sempre foram influenciadas pelo pecado e voltados a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor (Juízes 2.11), mas o Senhor nunca os abandonou, mostrando que a sua misericórdia sempre esteve presente pronta para os ajudar(II Crônicas 7.14; Isaias 59.1; Provérbios 28.13).
  • A Graça:
Diante de tamanha escravidão em que se encontrava a nação eleita por Deus para levar seu nome e todos os povos da terra, Deus então decide dar ao homem a oportunidade de ter voltar a ter liberdade, semelhante aquela que gozara no início, mas para isso acontecer tinha que ser pago o preço, e este preço só poderia ser pago por Jesus. Quando contemplamos Mateus 4.16 temos um noção da situação em que estava o povo de Israel: “ o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou” . Jesus então surge como uma luz para esse povo. Observe que eles estavam debaixo da Lei, porém suas obras estavam nas trevas, o que significa dizer que o pecado influenciava suas atitudes. Outro ponto a ser observado está em Lucas 4.19 quando então ele anuncia uma de suas missões “… apregoar liberdade aos cativos”, esse cativos seriam por acaso prisioneiros das cadeias romanas? É evidente que não, pois o próprio Jesus já deixara bem claro que o seu reino não era desse mundo, e em Efésios. 6.12 temos nítido qual era o inimigo a ser enfrentado “portanto não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes das maldades nos lugares celestiais. Portanto concluímos que essa liberdade seria para a humanidade que estava aprisionada espiritualmente, observando o nosso texto base vemos um diálogo de Jesus com homens que se achavam livres por se julgarem descendência de Abraão (Jo. 8.33), porém Jesus os chamas de escravos ao lhes oferecer liberdade e afirma que estes eram escravos por que cometiam pecado. Assim o homem sem Jesus não pode gozar de liberdade, pois por mais religioso que seja, estará sempre cometendo pecado e sujeito a sua influência.
A grosso modo essa situação levaria a um aparente desespero pois alem do homem ser escravo do pecado, não poderia ter salvação, mas é justamente ai que entra a Divina providência, pois Jesus afirma: “… se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”(João 8.31,32), esta verdade seria o próprio Jesus e a sua palavra, pois o homem só poderá ter aquela plena liberdade a partir do momento que a palavra de Jesus lhe é apresentada, prova disso é quando o Mestre diz aos seus discípulos “vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado”(João 15.3) mostrando que somente pelo conhecimento da Sua palavra eles foram limpos de seus pecados, daí a necessidade de ser pregado o evangelho a toda criatura para que o homem possa ter a liberdade de escolher entre o certo e o errado, pois sem a Palavra lhe ser apresentada esse homem estará sempre sujeito a ação do pecado impossibilitando a escolha do que agrada a Deus. Um texto que expressa de forma clara esta situação está em Romanos 10.9,14 onde é apresentado a formula da salvação. Em primeiro lugar é apresentado a partícula condicional “SE”, “…se com a tua boca confessares”, “se com a tua boca creres”, mostrando que cabe ao homem tomar a decisão de aceitar o sacrifício de Cristo e posteriormente apresenta a situação desse homem, ou seja, cego e surdo aos apelos do Senhor, onde que somente com a apresentação da palavra de Deus ele poderá crer no evangelho “…como crerão naquele de quem não ouviram?…” e ai sim tornar-se livre para escolher a Cristo e O confessar como Senhor e salvador de sua vida, note que não significa dizer que ele aceitará, prova disto é o que diz a bíblia “Mas nem todos obedecem ao evangelho…”(Rom. 9.16a), pois ele sendo livre, Deus não quer ninguém como escravo, mas sim como servo, ou seja permanecendo com o Senhor por livre vontade.
Podemos então concluir que o homem só é livre quando o Evangelho lhe é apresentado e ele permanece em Jesus (João 8.31) e que o evangelho lhe mostra o caminho dessa liberdade, cabendo ao homem decidir se aceita ou não esta Palavra. Daí surge outra questão, como então pessoas que viveram no Evangelho se desviam? Esta questão daria outro estudo!!! Porém, podemos afirma o que antes falamos, Deus não quer ninguém como escravo, mas sim servo, e se o homem goza da liberdade da Palavra ele poderá deixar a Cristo conscientemente, prova disso é o caso do inimigo de nossas almas, que sendo anjo de Deus rebelou-se contra o Criador, porém o preço a ser pago é muito alto , pois Pedro nos diz: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro.Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”(II Pedro.2.20,21). Este versículo destrói qualquer doutrina de que uma vez salvo, salvo para sempre, pois a salvação é eterna, porém isto é quando formos transformados em corpos incorruptíveis como nos diz a bíblia em I Coríntios 15.53,54 , a partir daí seremos novas criaturas, com corpos renovados, junto com o Senhor e não estando mais sujeitos as ações do mundo, então cabe a você, servo do Senhor, guardar a tua Salvação, pois o Senhor nos disse que “aquele que perseverá até o fim será salvo”(Mt 24.13), não abuse da liberdade que você tem, e saiba que muito mais valor tem aquele que serve por amor, por ser livre , do que aquele que é obrigado a servir.
Sabemos que dúvidas milenares não foram sanadas quanto a predestinação e livre arbítrio, nem era nossa pretensão saná-las, mas deixamos nosso ponto de vista com base na Palavra de Deus. Para aqueles mais exaltados, confira a seguir o vídeo do renomado teólogo calvinista Augustus Nicodemus Lopes apresentando uma boa explicação sobre este embate:



Livremente em Cristo,

Jefferson Rodrigues

quarta-feira, 31 de julho de 2013

PROVAS DO ENEM



Está se preparando para o Enem? Veja a prova do Enem 2010 e prepare-se!

Veja a Prova Azul/ 1 º dia - Clique aqui
Confira Gabaritos - Clique Aqui

E não deixem para amanhã o que você pode fazer hoje!

Em Cristo,

Jefferson Rodrigues

quinta-feira, 25 de julho de 2013

CRISTIANISMO OU JUDAISMO? PARA ONDE A IGREJA ESTÁ SEGUINDO?





Por Rev. Marcelo Lemos
Estou viajando, mas entre entrar e sair de Belo Horizonte nas últimas semanas acabei arrumando tempo para visitar um “feira evangélica” na capital mineira. Uma decepção. Misturados a versões bíblicas, chaveiros com temas religiosos e folhetos evangelísticos, encontrei diversos outros artefatos de fazer o estomago embrulhar. Correntinhas da sorte (daquelas de fazer promessa), cajados, espadas e arcas da aliança confeccionadas em plásticos, óleos perfumados com as mais variadas essências, além de trajes para uma tal de “dança litúrgica”. Não fosse pelos materiais genuinamente cristãos expostos em outros boxes, certamente seria possível confundir com uma feira de artigos para macumba.
Por algum motivo, provavelmente explicado pelo sionismo latente na teologia cristã popular de hoje, há uma verdadeira atração por tudo que aparece sob a famosa Estrela de Davi, como se a mesma fosse portadora de algum poder santificante e de autenticação. Assim, se o AT fala de uma Arca da Aliança, os neoevangélicos estão dispostos a se prostrarem diante de sua réplica hoje, bem como estão dispostos a carregarem na carteira réplicas da espada de Gideão, ou do machado de Eliseu. Indo além do próprio Dispensacionalismo, tais “evangélicos” (sic) se sentem mais atraídos pela “sombra” do que pela “realidade”.
Outro dia, por exemplo, observando o diálogo entre dois jovens pregadores pentecostais, notei o grande fascínio que nutriam por expressões hebraicas “cheias de poder” (palavras deles). “Shamah”, “Tsidikenu”, “Jeova Nissi”, dentre tantas outras. Que há de errado com tais palavras e expressões? Absolutamente nada. A grande questão é que “Jeová Nissi” e “Deus é a minha bandeira” significam a mesma coisa, e não há nada de poderoso em ficar repetindo a mesma ideia em hebraico; a menos, claro, que a pessoa tenha em mente algum tipo de “mantra” - mas aí, já não estamos mais nos domínios da fé cristã. Contudo, pregadores sabem que gritar e repetir tais expressões inúmeras vezes de seus púlpitos, certamente lhes renderá uma pregação “poderosa”, aos olhos de seus ouvintes...
Por uma quase total ignorância da teologia neotestamentária eles alimentam a fantasia de que Deus se comoverá com palavras e símbolos judaicos! Inadvertidamente, acreditam que Deus se alegrará vendo Sua Igreja ignorando o Juízo que Cristo trouxe sobre a Casa de Israel, e com isso, rejeitam os tesouro da Nova Aliança em troca das migalhas da Antiga:
“Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos” (S. Mateus 21. 42,43).
Se Cristo está certo sobre a Igreja ter recebido as chaves do Reino de Deus, qual o sentido de querer aquilo que, segundo Jesus, foi aperfeiçoado pela fé cristã? Será que não ouviríamos hoje a mesma acusação que S. Paulo fez os cristãos da Galácia? “Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado? Só isto quero saber de vós: Foi por obras da lei que recebestes o Espírito, ou pelo ouvir com fé? Sois vós tão insensatos? tendo começado pelo Espírito, é pela carne que agora acabareis?” (Galatás 3. 1-3).
Não é de se estranhar, portanto, que a judaização da religião neoevangélica seja capaz de assumir contornos ainda mais assustadores, chegando a ponto de, literalmente, substituir a Fé Cristã por uma versão helenizada da Fé Judaica. Tenho um amigo assembleiano que quase me fez ter um infarte quando disse que estava congregando em uma sinagoga, onde estava aprendendo o quanto os cristãos tinham se afastado da verdadeira religião de Jesus. Já estava prestes a se converter em um gentio-messianico-judaizante! Como ele não nasceu judeu, evidentemente não poderia se tornar judeu messiânico, oras! Por mais que o tenham iludido na tal sinagoga, o máximo que ele poderia vir a ser era um caranguejo estiloso!
Porque, segundo o que nos é dito no Primeiro Concílio da Igreja, registrado em Atos 15, os gentios não precisam se submeter a cultura judaica para seguirem a Cristo. Um gentio que faz isso está andando pra trás, feito caranguejo, e isso faz dele “insensato”, ou tolo, nas palavras de S. Paulo.“Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis bem de vos guardar. Bem vos vá.” (Atos 15. 28,29).
Mas a loucura não tem limites, é com um poço sem fim - depois que se cai nele o Inferno é o limite. Quem assistiu ao filme “Viagem ao Centro da Terra” - adaptação meia-boca do livro homônimo de Júlio Verne – deve se lembrar da cena onde os três personagens “descobrem” o caminho para o centro da Terra. Aqueles três tiveram a sorte encontrar um bom lugar de pouso no fim do buraco, mas o caranguejo normalmente termina na frigideira quando sai de seu habitar natural.
Nesse poço cavado pelos judaizantes tem uma loucura atrás da outra. Mas, vamos deixar as tolices dos neoevangélicos de lado, e aproveitar para dar olhar mais em baixo. Está virando 'modinha' entre alguns o costume de não mais chamar Deus de “Deus”, e Jesus de “Jesus”, além de outras descobertas mirabolantes, daquelas que fariam o Discovery Channel produzir uma minissérie. Porém, ao invés da nova série se chamar “O Astronauta Antigo” o nome seria algo como “Em Busca do Jesus Perdido”, pois o Jesus que conhecemos hoje foi, senhoras e senhores, uma falsificação do Império Romano. Aliás, se você quer questionar alguma coisa no Cristianismo o caminho mais fácil é botar a culpa num tal de Constantino. Sua tese, só por isso, já ganhará um monte de seguidores, além de render bons dividendos (pergunte aos Adventistas do Sétimo Dia, às Testemunhas de Jeová ou a Dan Brown).
Jesus, meus caros, não tem poder para salvar. Apenas Yahusha salva, como descobriu certo grupo judaizante. Segundo ensinam, o falso nome “Jesus” se estabeleceu através das traduções bíblicas, feitas primeiramente pelos católicos romanos, no que foram seguidos pelos protestantes. Felizmente, hoje temos esses verdadeiros iluminados para nos ensinar a verdade.
Mas, o que falta entre os judaizantes é a tal da unidade. A única coisa que os une é a ideia de que, nós, cristãos, falsificamos o nome do Filho de Deus. E qual é o nome verdadeiro? Uma segunda resposta nos é dada por um grupo chamado “Testemunhas de Yeshôshua” (veja artigo completo sobre eles AQUI). Bem, já temos duas teorias judaízantes, e agora?
Bem, talvez quem salve seja, na verdade, Yeshua, como afirma um grupo intitulado de “Judeus da Unidade”. Segundo seu líder do grupo, o rabino Marcos Andrade Abraão, Roma criou um personagem que pegou emprestado a história do verdadeiro Mashiach”.
O que mais me impressiona é que tais grupos estão conseguindo convencer pessoas que já conhecem o Evangelho. Recebo noticias e questionamentos sobre esses casos de “conversões”, ou melhor, de apostasias. E isso me faz perguntar se a raiz não está justamente na mentalidade mistica-judaizante da qual falei já no inicio deste artigo. Porque, não é verdade que tudo isso tem sua origem na mentalidade de que o cristianismo é apenas uma expressão do judaísmo em sua essência?
Mas, tanto essas seitas quanto os neoevangélicos padecem da mesma ignorância teológica sobre o Novo Testamento. Os judaizantes dentro de nossas comunidades ignoram a teologia neotestamentaria a respeito da Realidade ter aperfeiçoado aquilo que era “sombra”. Os que descem mais fundo na heresia, desconhecem a própria letra do Novo Testamento. Para essas seitas, o argumento principal e que foi batizado com um nome judeu, portanto, aqueles que traduziram seu nome criaram uma falsa religião. E esse argumento é muito sedutor para as pessoas que em sua igreja vivem cercadas por palavras de ordens “judaicas” e símbolos “judaicos”; para elas esse argumento pode ser muito convincente! Tão convincente que muitos estão descendo mais fundo no fosso judaizante, e abandonando suas congregações cristãs.
Alguém pode negar que “Jesus” não é o nome hebraico do Cristo? Evidentemente não! Todos os cristãos sabem disso – se aprende na EBD. Mas, é pecado traduzir o nome de Cristo para outro idioma? Se for pecado, então os apóstolos – que eram todos judeus! - foram os primeiros a cometerem tal sacrilégio, pois nós herdamos deles tal costume. Porque o nome do Salvador é citado pelos Apóstolos mais de 900 vezes no Novo Testamento, e em todos esses casos ele traduzem o nome de Jesus para o idioma grego (IESOUS CRISTOS ) no qual estavam escrevendo.
Será que a falsa religião foi inaugurada já nos dias da Igreja Primitiva? Como podemos sustentar a tese de que a tradução do nome do Filho de Deus é uma abominação, coisa da falsa religião, se a própria Bíblia usa seu nome traduzido para a língua grega? Que apostasia é essa que os apóstolos, homens inspirados por Deus, preferiram seu nome em Grego a suas variantes Yeshôshua ou Yeshua?
Um fato aceito pela maioria esmagadora dos estudiosos do Novo Testamento é que este foi escrito em Grego, com a possível exceção de S. Mateus. Assim, ainda que eu goste muito da Peshita (versão aramaica muito antiga), o fato é que os Apóstolos escreveram a maior parte de seus livros para leitores e ouvintes gentios, que, obviamente, falavam grego. Naqueles dias não havia a Bíblia como a temos hoje. As cartas eram enviadas aos lideres das Igrejas locais, e durante a liturgia eram lidas diante de todos. E uma vez que sabemos que S. Paulo foi enviado como apóstolos dos gentios, parece óbvio supor que lhes falasse em sua própria língua: “Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apostolo dos gentios...” (Romanos 11.13); “Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” (Romanos 16.4). “A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo” (Efésios 3.8).
E, em todos os livros do Novo Testamento, em nenhuma vez encontramos os Apóstolos usando o nome Hebraico ou Aramaico de Jesus. Mas as fábulas judaizantes exercem tanto fascínio sobre os neoevangélicos de nossa geração que essas ideias estão se tornando cada dia mais populares. Nem todos chegaram ainda ao extremo de voltar ao judaísmo, mas muitos o estão fazendo. Nem todos estão se declarando “judeus cristãos”, mas se apegam com toda fé em elementos do judaísmo. Ironia das ironias, os judaizantes foram o grupo herético que mais deram trabalho ao apóstolo S. Paulo, e, ao que parece, eles estão de volta, e com toda força.
Não deixa de ser hilário assistir essas mesmas pessoas ficarem tão nervosas com a visita do Papa Francisco. Ora, deviam ter ataques de nervos lendo os livros de Lutero!

Fonte: [adaptado] Rev. Marcelo Lemos direto do blog olharreformado.blogspot.com.br