segunda-feira, 26 de setembro de 2016

EXISTE DIFERENÇA ENTRE LÍNGUAS COMO SINAL DO BATISMO COM O ESPIRITO SANTO E COMO DOM ESPIRITUAL?


Por Jefferson Rodrigues

Existe alguma evidencia física que nos mostre que alguém foi batizado com o Espirito Santo? A resposta para esta pergunta dependerá de qual grupo pentecostal você pertença. O pentecostalismo é um movimento que pode ser dividido em três períodos, identificados como ondas. Para o sociólogo Ricardo Mariano (2014, p.28) os pentecostais de primeira onda são aqueles que surgiram a partir dos movimentos iniciados nos EUA do inicio do século XX, mormente da Azusa Street em Los Angeles; os membros deste grupo também são identificados como Pentecostais clássicos.  Estes pentecostais enfatizam o batismo com Espírito Santo e o falar em línguas como evidência física desta experiência. Os pentecostais de segunda onda teriam doutrinas carismáticas esposadas nas ideias do grupo anterior, inclusive admitindo o falar em línguas como evidência inicial do Batismo com o Espírito Santo. Porém, alguns carismáticos de segunda onda admitem a possibilidade de nem sempre esta ser a evidência do batismo com o Espírito Santo. Contudo, sua maior ênfase estaria na cura divina. Este grupo destaca-se no cenário mundial a partir da década de 60 com a renovação carismática de muitas denominações reformada e histórica, inclusive dentro da Igreja Católica Romana.
 Por fim, Mariano apresenta os pentecostais de terceira onda (idem, idem). Para este sociólogo, apesar de este grupo crer nos dons do Espírito, ele difere dos outros dois tanto nos usos e costumes quanto na percepção dos dons do Espírito, não vendo o dom de línguas como um sinal físico do Batismo com o Espírito Santo. Estes grupos são identificados como Neopentecostais tendo como algumas de suas características a teologia da prosperidade e a inclusão em suas liturgias de práticas que consideramos no mínimo, extra bíblicas para ser elegante. Algumas de suas práticas incluem forte ênfase na prosperidade material, uso maciço dos recursos midiáticos como TV e Rádio, ênfase exagerada em batalha espiritual inclusive entrevistando “demônios”, venda de objetos considerados milagrosos e ativadores da fé como água ungida, rosa ungida, caneta ungida entre outras práticas. Por hora nos centraremos na evidencia física do Batismo e não discutiremos mais sobre as práticas neopentecostais que tem contribuído para a difamação da fé carismática.
Como exposto acima, para os pentecostais de primeira onda a evidência física do Batismo com o Espírito Santo sempre será o falar em línguas. Já os de segunda onda admitem a possibilidade de que nem sempre o falar em línguas seja necessário para a evidência desta experiência. E os de terceira onda, não dão enfoque sobre a questão. Mas afinal, qual opinião está em consonância com a Palavra de Deus? Entendemos que a opinião defendida por Pentecostais clássicos (primeira onda) está em consonância com as evidências escriturísticas e vamos justificar esta opinião com base na Palavra de Deus. Assim acreditamos que o falar em línguas seja a evidência inicial do Batismo no Espírito pelos seguintes motivos:
1.             Em Jerusalém esta foi à marca distintiva no Pentecostes. Juntamente com o vento e fogo, as línguas foram os sinais exteriores que marcaram o Dia de Pentecoste descrito em Atos 2. É valido lembrar que a dimensão da experiência ocorrida no Pentecostes não se repete nos demais casos apresentados em Atos, com exceção das línguas. Desta forma, as línguas continuam sendo marca distintiva de que algo sobrenatural estava acontecendo. Parece-nos que era inquestionável a ligação entre falar em línguas e o batismo com o Espírito Santo na igreja primitiva, e para tanto, devemos considerar a isenta opinião de um ministro presbiteriano escocês, o doutor A. B. Macdonald que assim nos fala:
A crença da igreja acerca do Espírito surgiu dum fato que experimentou. Bem cedo em sua carreira os discípulos notaram um novo poder que operava dentro deles. No princípio, sua manifestação mais extraordinária foi "falar em línguas", o poder de expressão oral extática numa língua não inteligível. Tanto esses que eram tomados por esse poder, como também os que viam e ouviam suas manifestações foram convencidos de que um poder do mundo superior atingira suas vidas, dotando-os de capacidades de expressão e de outros dons, os quais pareciam ser algo diferente, e não apenas uma intensificação da capacidade que já possuíam [...][1]
Por este citação entendemos que as manifestações das línguas serviam para testemunhar do poder Divino entre os mais variados grupos de pessoas, parecendo ser este o padrão esperado pela Igreja apostólica.
2.             Em Atos todos os casos de batismo foram acompanhados pela evidencia das línguas. Todos os casos expostos em Atos dos Apóstolos onde cristãos foram Batizados com o Espirito Santo ocorre a evidência física das línguas, seja explicitamente falado no texto (At 2.4; 10.42-47; 19.1-7), ou ainda implicitamente (At 8.12ss). Em todos estes eventos o Espírito repetiu o sinal das línguas apresentadas no Pentecostes. Até mesmo entre os Apóstolos este sinal já era entendido como o recebimento do Batismo com o Espirito Santo, por isso Pedro declara ao ver Cornélio falar em línguas que este era o mesmo sinal que eles haviam recebido no dia de Pentecoste, assim nos diz a Palavra:E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio (At 11.15). E como Pedro sabia que “caiu” o Espírito sobre Cornélio e sua casa? A resposta o próprio texto nos dá, através da evidencia física de falar em línguas, vejamos: “[...]maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus”. (At 10.45b,46). O falar em línguas para Pedro definia que eles haviam recebido o Espírito Santo!
Poderíamos sem dúvidas citar ainda o ocorrido em Éfeso (At 19.1-7), onde discípulos foram interpelados por Paulo se já haviam recebido o Espirito Santo (At 19.2) e responderam negativamente. Na oportunidade Paulo impôs as mãos sobre eles e “[...] veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam”(At 19.6 b.). Mais uma vez o fator distintivo do recebimento do Espírito consiste no falar em línguas. Neste caso ainda houve o profetizar deixando ainda mais nítido o propósito deste dom em capacitar homens para o trabalho cristão. Finalizamos este ponto com a opinião sensata dos teólogos Pentecostais Menzies e Horton:
Se todas as referências à concessão pentecostal, no livro de Atos, forem reunidas em um único bloco, não haverá mais dúvidas de que as línguas são a evidência inicial e física do batismo no Espírito Santo. Visto que reconhecemos nas descrições históricas do livro de Atos um propósito teológico e a intenção de ser exemplo para a Igreja hoje, temos nele um forte fundamento para acreditar que os crentes que eram cheios do Espirito Santo esperavam a evidência do falar em línguas[2].
Esclarecido este ponto, passemos ao próximo. Aprestaremos a diferença existente entre língua como dom do Espírito e como sinal do batismo com o Espirito Santo.
Diferença entre sinal e dom na manifestação das línguas. Para finalizarmos as questões concernentes a evidencia física do batismo com o Espírito Santo vamos apresentar a diferença existente entre línguas como dom e como sinal visível desta experiência. Em primeiro lugar é importante salientar que toda a manifestação do Espírito é uma dadiva do Céu, e, portanto, trata-se de um dom da parte de Deus. Sendo assim, independente da forma como se apresente as línguas sempre serão um dom do Espírito para a Igreja. Contudo, precisamos deixar claro que nem todo cristão tem o dom de línguas (1 Co 12.10), pois a própria Escritura nos faz crer na impossibilidade de todos falarem em línguas (1 Co 12.30). E como compreender a aparente contradição de que a Bíblia mostra que o Batismo é para todos, porém, nem todos possuem o dom de língua? Defendemos a proposição de que há uma mudança na função das línguas. No ato do batismo com o Espírito Santo cremos que elas servem para exaltar e glorificar a Deus. Todavia, como dom, a sua função primária é a edificação da Igreja (podendo também glorificar a Deus). A seguir explicaremos esta ideia de forma mais ampla.
É importante observar que ao falarmos de línguas como sinal há uma variação nítida da função que é posta quando esta manifestação aparece como dom no Novo Testamento. Com isso não queremos dizer que a fonte dessas línguas (Espírito Santo) seja diferente, ou a tipologia (sobrenatural ou humanas) ceda lugar a outra forma. Não obstante, acreditamos que a variação acontece no proposito, ou seja, elas tem como função primária magnificar a Deus (no Batismo com o Espírito Santo) e edificar a igreja (como dom). Quando o dom de línguas é apresentado nas Epístolas Paulina tem como propósito primário a edificação do Corpo de Cristo (1 Co 12-14), por esta razão é insistentemente recomendado que haja interprete quando a mensagem em línguas for dirigida à congregação (1 Co 14.5) e falada na congregação. Além desta função primaria, Paulo ainda acrescenta a utilidade das línguas para edificação espiritual do falante (1 Co 14.4), e ressalta que não se deve proibir o falar em línguas (1 Co 14.39), desde que seja tudo feito com “decência e ordem” (1 Co 14.40).
Contudo, os casos em que o falar em línguas é apresentado em conexão com a experiência do batismo com o Espírito Santo assume uma forma diversa daquela proposta por Paulo, ou seja, estas línguas são usadas prioritariamente para magnificar à Deus (podendo posteriormente vir uma mensagem de caráter profético à todos). Vemos estes exemplos tanto em Jerusalém no Pentecostes (At 2.11), como em Cesareia, na casa do centurião Cornélio. Quanto a manifestação ocorrida em Jerusalém, devemos observar que os discípulos "falavam das grandezas de Deus", ou seja, magnificavam a Deus, não sendo esta uma pregação (mesmo sendo línguas idiomáticas das nações), pois posteriormente Pedro se encarrega desta missão conforme defende o Dr Roger Stronstad (2011, p.69) em seu livro "Batismo no Espírito Santo e com fogo"(CPAD)
 Passemos a analisar este outro caso: na casa do centurião Cornélio (At 10.42-47). Em Cesareia, os discípulos, vindo de Jerusalém, perceberam que aqueles homens haviam recebido o batismo com Espírito Santo porque os viam falar em línguas (At 11.15). Contudo, é importante destacar que naquele lugar não houve necessidade de interprete para a língua falada, apesar de que nenhum dos presentes compreendia o que foi falado, conforme entendemos a partir da expressão Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus” (At 10.46).Também não houve uma mensagem especifica para aqueles irmãos, isto em razão de toda a mensagem ter sido apresentada anteriormente por Pedro aos presentes. Assim, as línguas (gr. lalounton glossais) faladas na Casa de Cornélio tiveram como finalidade primária glorificar a Deus. Neste ponto compreendemos que a língua como evidencia física do batismo com Espírito Santo não possui, necessariamente, a mesma função do dom de língua. Contudo, as experiências observadas nas Escrituras sobre batismo com Espírito Santo foram acompanhadas pelo falar em línguas como forma de glorificar a Deus (At 2.4; 10.46; Ef 19.1-7). Ressaltamos que é possível que o cristão receba tanto o sinal do batismo como o dom de línguas ao mesmo tempo.
Então, compreendemos que todo cristão ao ser batizado com o Espírito Santo fala em línguas com o objetivo de glorificar ao Pai Eterno, todavia, isto não implica dizer que ele possui o dom de língua, Menzies e Horton confirmam esta visão ao afirmar: “[...] é valido lembrar que uma pessoa pode receber as línguas como a evidencia do batismo no Espirito Santo e só mais tarde receber o dom das línguas, que pode manifestar-se nas devoções pessoais ou nos cultos públicos[3]”. Será preciso orar e pedir ao Senhor que seja dado o dom de línguas, assim como os demais dons(1 Co 12.30). Desta forma, concluímos reiterando que, segundo o relato Lucano em Atos dos Apóstolos a experiência do batismo com o Espírito Santo era acompanhada com o falar em línguas, dando testemunho visível e público do que Deus estava fazendo no meio do povo! 
Por fim, ressaltamos que mesmo defendendo as línguas como sinal primário do batismo com o Espírito Santo, outras manifestações podem acompanhar esta experiência sobrenatural, como por exemplo, o ato de profetizar (At 19.7). Não podemos esquecer que o revestimento de poder advindo do batismo com o Espírito Santo potencializa a manifestação dos dons, dessa forma o Espírito Santo opera livremente no cristão que cede lugar a presença do Eterno.
Em Cristo,
Jefferson Rodrigues




[1] MACDONALD citado por PERALMAN, 2014, pp.313, 314
[2] MENZIES; HORTON, 1999, p.144
[3]  MENZIES; HORTON, 1999, p.145

sábado, 24 de setembro de 2016

1 CO 12.13 AFIRMA QUE TODOS OS CRISTÃOS JÁ SÃO BATIZADOS PELO ESPIRITO SANTO?


Por Jefferson Rodrigues
Entre alguns grupos de teologia "reformada" há uma falsa acusação contra os pentecostais de que pregamos uma doutrina que promove um elitismo espiritual (Batismo com o Espírito Santo), e que por conseguinte, rejeitamos a ideia de que todos os cristãos possuem o Espírito Santo. Na verdade é oposto a isto, pois aceitamos e defendemos que todos os cristãos ao confessarem a Cristo como Senhor tornam-se habitação do Espírito Santo e, portanto, possuem o Espírito em sua vida. Não obstante, defendemos um revestimos de poder subsequente à salvação denominado de batismo com o Espírito Santo. É neste ponto que mais uma vez os opositores desta doutrina afirmam que erramos, pois eles citam o texto de 1 Coríntios 12.13 como prova de que todos os cristãos são batizados com o Espirito Santo. O texto diz: Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”(1 Cor 12.13)
Sem dúvidas o texto nos apresenta uma forte indicação de que todos somos batizados com o Espírito Santo. Porém, precisamos perguntar: o texto está se referindo a uma experiência de revestimento de poder posterior a salvação? Ou o texto dentro do seu contexto refere-se à inclusão de um cristão no Corpo místico de Cristo, a igreja? Se sua reposta for sim para esta ultima questão e não para a primeira, então entendo que você compreendeu de fato o texto Paulino. Passemos analisar o capítulo completo.
O capítulo 12 inicia-se tratando sobre dons espirituais (v.1). Na verdade há uma possibilidade de que Paulo referia-se a um grupo de irmãos (os espirituais, gr. pneumatikon) que se consideravam superiores aos demais por desfrutarem de alguns dons espirituais e, portanto, entendiam que somente eles eram pertencentes à Igreja de Cristo. Por essa razão, Paulo começa a explicar que existe uma diversidade de dons (vv 4-10) e que estes são concedidos pelo Espírito a cada cristão como convém. A partir do versículo 11 o foco é mudado para a diversidade de dons que existe na Igreja e enfoca na diversidade de membros e dons que existe no Corpo, porém, ele destaca que nenhum membro deve sentir-se superior ao outro, “Pois todos nós fomos batizados em (gr. ‘en’) um Espírito, formando um corpo [...]” (1 Co 12.13). Ou seja, através do Espírito Santo, todos os crentes foram inseridos no Corpo místico de Cristo, independente da capacidade espiritual que possua. Aqui Paulo não estava se referindo a uma experiência de poder da qual João Batista havia profetizado (Mt 3.11), ou aquelas que foram descritas no livro de Atos (e.g. At 10.42-47). Este batismo ao qual Paulo se refere é a inclusão de todos os Cristãos no Corpo de Cristo através do Espírito Santo (Jo 16.8)
Esta diferença pode ser entendida pela forma do texto que pode ser traduzido como batizados “pelo” Espírito. Mais uma vez a preposição, no grego, escolhida por Paulo é “en” e sendo esta uma preposição versátil no grego, precisamos escolher a melhor tradução a partir do contexto. E observando o capítulo 12, vemos que Paulo utiliza-se desta preposição sempre com o intuito de dizer “pelo”. Prova disso são os versículos 3 e 9. No versículo 3 lemos o seguinte: “portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo (en) Espírito de Deus [...]E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo (en) Espírito Santo”. Ele continua neste mesmo entendimento no versículo 9 quando apresenta a lista de dons: “[...]e a outro, pelo (en) mesmo Espírito, a fé; e ao outro, pelo (en) mesmo Espírito, os dons de curar”. É razoável entender que no versículo 13 a preposição “en” também assuma a ideia de “pelo” ao invés de “com” ou “no” como quando se refere ao batismo com o Espírito Santo (Mt 3.11; At 1.5). Assim, a partir deste entendimento compreendemos que o termo “batizado ‘pelo’ Espírito Santo” “indica que o Espírito Santo é o meio ou o instrumento pelo qual este batismo acontece[1]”.
Após esta analise exegética do texto é possível compreender que a experiência a qual Paulo se refere neste texto é o fato do Cristão ser inserido no corpo de Cristo. Esta ideia é reafirmada até mesmo por teólogos que seguem uma linha diversa da pentecostal. Vemos por exemplo Champlin afirmar enfaticamente que este texto “não se trata do batismo que infunde poder, aludido em Atos 2.4[2]”, mas que ele ressalta a capacidade de tornar os cristãos unidos a partir da ação do Espirito. Segundo Champlin “a influencia do Espírito é que transforma e une, conferindo-lhes uma mentalidade espiritual e um só estado metafisico. Faz deles uma só entidade espiritual[3]”. E consolidando este pensamento temos a posição do comentarista bíblico Donald S. Metz que afirma: “Paulo procura eliminar as tensões e as rivalidades insistindo na unidade essencial dos crentes em Cristo [...] Dessa forma, judeu e gregos, servos (escravos) ou livres, todos participam da mesma experiência comum de pertencer a um único corpo a Igreja[4].
Todos estes autores fazem coro com nosso entendimento e reafirmam a posição que defendemos. Para finalizar este ponto, achamos pertinente apresentar a posição do renomado teólogo pentecostal Roger Stronstad que, de forma sintética, apresenta a diferença entre batismo com (no) o Espírito Santo e batismo pelo Espírito: “(I) batismo pelo Espirito, que incorpora a pessoa ao Corpo de Cristo (I Co 12.13) e (2) batismo no [com] Espirito, que primariamente da poder a pessoa (Mt 3.11: Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33; At 1.5; 11.16; veja também Lc 24.49; At 1.8)[5]”. Assim, compreendemos que a interpretação adequada para este versículo ficou clara, não sendo necessário nos alongar nesta discussão.
Que o Espírito continue nos guiando através de sua Palavra!
Em Cristo,
Jefferson Rodrigues




[1] ARRINGTON; STRONSTAD, 2009, pp. 238, 239
[2] CAHAMPLIN, 2014, 250, Vl 4 NT
[3] Idem, 2014, p. 251
[4] METZ, Doanld S. A primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. In: Comentário Bíblico Becon, 2015, p.339
[5] STRONSTAD,2011, p.20

sexta-feira, 15 de abril de 2016

SERÁ QUE A BÍBLIA FALA DE HIERARQUIA NA IGREJA PRIMITVA?



Por Jefferson Rodrigues
Qualquer cristão sabe perfeitamente que o principio fundamental da Igreja de Cristo é humildade e a servidão! E que no Reino de Deus aquele que quiser ser maior deve ser o menor! Contudo, Jesus em momento algum excluiu a hierarquia existente no Templo em Jerusalém de seus dias, pelo contrario, Ele mesmo cumpriu aquilo que a Lei estabelecia, incluindo a adoração naquele lugar! Jesus condenou evidentemente a hipocrisia existente entre religiosos de seus dias (Assim como eu e tantos outros condenam nos dias de hoje).
Ao contrario do que alguns afirmam, as pessoas nos dias de Jesus frequentavam o Templo de Jerusalém, ou as sinagogas em suas regiões e lá cultuavam a Deus e ouviam a Palavra. Se o propósito de Cristo fosse acabar com este culto Ele teria dito, mas o que Ele fez foi o inverso ao indicar a um homem curado que se apresentasse aos sacerdotes, vejamos o que o texto diz: “Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho. (Mateus 8:4). Com esta atitude Jesus legitimava o sistema mosaico vigente e suas hierarquias, se não fora ele poderia ter mandado este homem se apresentar a qualquer pessoa. Porém, a indicação é clara: vá ao sacerdote! Assim, Jesus reafirmava que para as coisas de Deus cada um é chamado para uma função especifica. E querendo você ou não isto é uma forma de hierarquia.
Todavia, uma coisa me chama atenção nas falas daqueles que defendem a não existência de hierarquia: nada dizem de Atos dos apóstolos ou das Epistolas! Será que nunca as leram? Ou será que elas confrontam tais ideias inovadoras. A seguir deixarei alguns textos dentro de seus contextos que podem ajudar na reflexação sobre a questão (ou não, né? pois parece que nada os fazem reverem seus conceitos):
1. Após a ascensão de Cristo é necessário haver uma ordem na Igreja que crescia exponencialmente (At 6.1). Neste contexto, cabe aos Apóstolos a função de ESCOLHEREM DIACONOS (não como dom, mas como função!) para servirem aos necessitados (At 6.1-3). O texto mostra a liderança hierarquia exercida pelos Apóstolos naquela Igreja, vejamos: “E OS DOZE, CONVOCANDO A MULTIDÃO DOS DISCÍPULOS, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (Atos 6:2-4). Pergunto a você: isso é ou não hierarquia?
2. Outro ponto a ser apresentado na Igreja Apostólica é o Concilio em Jerusalém descrito em Atos 15. Se não havia hierarquização (não de poder, mas de funções) qual o motivo de Paulo e Barnabé buscarem a decisão final de Pedro, Tiago e João em Jerusalém, afim de deliberarem sobre o trabalho junto aos gentios? Ora veja o que Paulo diz sobre eles, tempos depois deste Concílio: “E CONHECENDO TIAGO, CEFAS E JOÃO, QUE ERAM CONSIDERADOS COMO AS COLUNAS, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;”(Gl 2.9). Perceba que a decisão do Concilio foi tomada pela liderança eclesiástica que ali havia. Cada um não fez o que queria como você e alguns dizem! É evidente que nos dias atuais este princípio tem sido distorcido, mas o que o texto nos deixa claro é que havia, sim, a hierarquia entre o povo de Deus!
3. Ainda em Atos, vemos Paulo organizando a Igreja em Éfeso e ali deixa claro que um grupo de cristãos denominados presbíteros ou bispos (os que dirigem, presidem, pastoream) deveriam cuidar da Igreja que pertence a Cristo, ou seja, não eram todos que deveriam cuidar, mas um grupo específico foi dado esta função, vejamos: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; (Atos 20:28,29)”. Preciso desenhar? Mais claro do que isso impossível!
4. Você alega que a titulação de Pastor (Bispo ou Presbítero) e Diácono são dons? Talvez você faça isto com base em Efésios 4.11. De fato esta pode ser a impressão. Mas me mostre onde neste texto fala de Diáconos? O texto diz: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, (Efésios 4:11)”. Nada no texto fala sobre diáconos, pois este era sim um cargo hierárquico (cf 1 Tm 3.8-13). Ainda sobre o texto de Efésios 4.11. Ele só ratifica a ideia de que nem todos podem ser lideres e que Deus instituiu alguns servos dEle para tal função. Sendo assim, estes homens recebem dons dado por Deus para edificação da Igreja. Claro e evidente que não deve ser para a exaltação pessoal, mas antes disso para edificação da Igreja, por esse motivo o versículo seguinte afirma: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, QUERENDO O APERFEIÇOAMENTO DOS SANTOS, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;” (Efésios 4:11,12)
5. Apresento ainda as descrições expostas por Paulo a Timóteo onde estabelece lideres para aquelas Igrejas chamando-os de Bispo (1 Tm 3.1-7). E após expor as qualidades deste líder, ele indubitavelmente expõe a função dele na Igreja: “Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, SE ALGUÉM NÃO SABE GOVERNAR A SUA PRÓPRIA CASA, TERÁ CUIDADO DA IGREJA DE DEUS? );(1 Timóteo 3:4,5). Eles deveriam governar administrar aquela igreja. Por que não foi dado esta ordem a todos os cristãos de Eféso? Simples porque no Corpo de Cristo cada um tem seu lugar e nem todos são lideres! Para finalizar esta observação, gostaria de destacar que a Palavra ainda diz que os líderes deveriam ser honrados quando cumprissem bem sua função de liderança! Não acredita? Então veja o texto sagrado: “Os presbíteros que GOVERNAM bem sejam estimados por dignos de DUPLICADA HONRA, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina;”(1 Tm 5.17). Claro está que havia uma hierarquia!
6. Ainda apresentarei mais alguns exemplos, desta feita abordaremos o texto de 1 Pedro 5.1-4. Neste texto está nítido um grupo de lideres que deveriam zelar pela igreja do Senhor, mas que cabia a eles a responsabilidade de cuidar da Noiva de Cristo até sua volta! Estes versículos evidenciam que muitos líderes hoje serão cobrados por Jesus pelos seus erros (ao extremo!); ao mesmo tempo mostra que os tais exerciam liderança na Igreja. Vejamos os textos na integra: “Aos presbíteros [líderes ou pastores], que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: APASCENTAI O REBANHO DE DEUS, QUE ESTÁ ENTRE VÓS, TENDO CUIDADO DELE, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, QUANDO APARECER O SUMO PASTOR, ALCANÇAREIS A INCORRUPTÍVEL COROA DA GLÓRIA” (1 Pedro 5:1-4). É óbvio que o modelo de liderança é o de Jesus, com humildade, servindo uns aos outros e por esta razão muitos serão cobrados!
7. Por ultimo, vejo que aqueles que não aceitam hierarquia na Igreja são porque não sabem servir! Fico imaginando como estas pessoas entendem o que o escritor aos Hebreus escreveu: “OBEDECEI A VOSSOS PASTORES [ou vossos líderes, gr. eigoymenois], E SUJEITAI-VOS A ELES; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”(Hb 13.17)
Meus amados irmãos de maneira alguma dizemos que o modelo existente em nossa Igrejas hoje estão livres de falhas, ou ainda que não existem lideres que fazem o errado conscientemente. Longe mim afirmar isto! Porém, é antibíblico dizer que não existem lideranças na Igreja Apostólica. O Senhor é um Deus da ordem, por isso organizou o Culto no Templo com cada detalhe (Ex 36-40) e a Igreja continua debaixo da ordem (1 Co 14.40), por esta razão devemos entender que o Senhor concedeu dons para lideres guiarem o povo até Cristo. É claro que também todos estes irão prestar contas de suas falhas. Por isso,Tiago diz aos lideres, incluindo ele mesmo: “[...] que receberemos mais duro juízo” (Tiago 3:1). Acredito que pelo exposto, só não percebe a verdade aqueles que não querem! No mais que o Espírito Santo ilumine nossa mente e entendimento para não sermos consumidos pelos lobos vorazes que estão por aí!


Em Cristo, Jefferson Rodrigues


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

7 COISAS QUE NÃO IRÃO ACONTECER EM 2016


Chegamos ao último dia de 2015, e para o ano que desponta no horizonte não faltam previsões de supostos videntes que apontam o “que irá acontecer no ano vindouro. Sendo assim, o História com Cristo também fará suas previsões e  seleciona 7 coisas (nunca vi um numero tão simbólico como este) que NÃO irão acontecer em 2016, vejamos:
1. Você NÃO cumprirá todas as promessas que fez para 2016. É cômico, mas prometemos fazer regime, estudar mais, nos dedicar mais, enfim, fazer tudo que não fizemos o ano inteiro. Não se desespere ninguém cumpre todas as promessas, mas comece mudando o possível e quem sabe ao término de 2016 você terá feito mais do que imaginou.
2. Seu príncipe (princesa) encantado (a) NÃO irá chegar. Para os solteiros (as) que aguardam a realização dos contos encantados, não se preocupem, são encantados mesmo! Não existe o rapaz perfeito ou a moça perfeita! Ore ao Senhor por uma pessoa que te complete e que vocês compreendam as diferenças que sempre haverá entre ambos, não percam tempo esperando o inexistente, mas olhe para seu redor e seja feliz. Lembrete: você não é a moça perfeita que pensa, nem o rapaz sem defeitos que acredita ser, por isso não cobre isto do próximo.
3. Seu irmão NÃO será perfeito como você deseja. Sempre cobramos mais do próximo do que de nós mesmo, mas a verdadeira mudança começa em nós. Precisamos cultivar o Fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22) em nossas vidas, permitir que Jesus transforme nossas vidas, para que então possamos entender melhor nossos irmãos, afinal a Palavra nos orienta a “[...] sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” (Efésios 4.32).

4. Não será um ano de Paz no mundo. Quando chega a meia noite é comum todos desejarem a paz mundial, tanto que o dia 1º de janeiro é o dia mundial da paz, contudo, mesmo sendo uma atitude que denota o anseio mundial pela paz, esta paz só virá quando Jesus retornar para inaugurar o seu Reino Milenar de Paz (Apocalipse 19 e 20). Por enquanto tenhamos como certeza as palavras do Mestre: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16.33)
5. A Igreja NÃO ficará livre dos falsos profetas.  Infelizmente a cada ano que passa surgem novas invencionices no meio pseudo-cristão. São apóstolos vestidos de estopa, mas que exibem suas Ferrari, são “sacerdotes” montados em dinheiros através do “Templo de Mamon”, são distorções doutrinarias fundamentadas na perniciosa teologia liberal, enfim, vemos que as Palavras escrita pelo Apostolo Paulo será cada vez mais vista em nosso, pois ele nos diz: O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada”(1 Tm 4.1,2). O Apostolo Pedro também vaticinou sobre os falsos mestres: No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2 Pe 2.1). Por esta razão em 2016 temos convicção de que eles continuarão a surgirem em nosso meio cristão. Vigiem Crentes!!
6. A Igreja NÃO será isenta de perseguições. Muitos têm pregado um cristianismo de facilidade, tempos de aceitação e ecumenismo. Não tenho dúvidas que isto já está acontecendo, mas esta não é a Igreja invisível, espiritual de Cristo. A Igreja de Cristo não se conforma com o mundo (Romanos 12.2) e por conta disto sempre sofrerá perseguições, e no caso atual o temível silêncio nos ronda, mas devemos nos alegrar com isto, afinal é cumprimento das palavras de Cristo, que nos diz: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.”(Mateus 5.11)
7. O Senhor Jesus não deixará você! Por quê?! Simples, Ele te ama e deseja estar com você todos os dias de sua vida e não apenas em 2016. Por isso, em 2016 lembre-se que “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4.10)

Tenham todos um Feliz Ano Novo com Cristo,

Jefferson Rodrigues


terça-feira, 17 de março de 2015

ATÉ QUE PONTO AS ROUPAS INTERFEREM NA SANTIDADE CRISTÃ?

Por Jefferson Rodrigues

Texto base: Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo.” (1 Co 6.20, NVI)

A santidade é ponto crucial para uma vida cristão saudável. Mas nos últimos tempos o tema parece estar fora de moda e muitos tem seguido a idéia de que “nada que fizer irá interferir em minha santidade”.  Na verdade, parece que estamos voltando ao século II, onde alguns grupos heréticos, conhecidos como gnósticos, defendiam a idéia de que o corpo em sua essência era mal, e, portanto, nada que fosse feito no corpo ecoaria para a eternidade. É com o propósito de combater a estes ensinos heréticos que o Apóstolo João escreve a sua I Carta e declara: “Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1 Jo 1.10). Com esta afirmação João apontava que todos nós somos pecadores e carecemos da interferência salvífica do Senhor para prosseguirmos uma vida de comunhão com Deus, afinal, a santificação é pré-requisito para contemplarmos o Senhor (Hb 12.14).
Não obstante a estas verdades, seguem-se algumas perguntas: o que posso fazer para corroborar com este processo de santificação? Tenho alguma participação, ou tudo depende de Deus? E marcas exteriores, será possível que uma vestimenta me auxilie neste processo de santificação?
São todas perguntas pertinentes, mas que para respondê-las como de fato deveria, seria necessário escrever um livro inteiro ao invés de um artigo. Contudo, vamos tentar nestas breves linhas traçar um percurso que venha a contribuir para dirimir tais dúvidas, especialmente, no tocante a uso de vestimentas especificas como requisito para santificação de um cristão.

SANTIDADE: CONCEITOS E APLICAÇÕES

Em razão da conotação excepcional que a igreja romana deu a este termo (Santo), para a maioria das pessoas parece ser algo inatingível e que somente após a morte é capaz de um ser humano alcançar. Contudo não é nada disso, e pelo contrário, é uma recomendação bíblica que nos orienta a sermos santos (1 Pd 1.16)! De acordo com o dicionário lingüístico Vinne: é o estado predeterminado por Deus para os crentes, no qual Ele pela graça os chama, e no qual eles começam o curso cristão e assim o buscam[1]”. Entendemos que o primeiro passo é realizado pelo Senhor quando somos justificados pelo sangue de Jesus (1 Jo 1.7), a partir deste momento inicia-se o processo de santificação progressiva, ou seja é um processo continuo de escolhas, onde com a ajuda do Espírito Santo, decidimos conscientemente fazer o que agrada ao Senhor.
Segundo o mestre Antonio Gilberto a santificação progressiva “É temporal, vivencial. É a santificação experimental, ou seja, na experiência humana, no dia-a-dia do crente”[2]. Desta forma a Palavra de Deus nos orienta: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”(Tg 4.4). O mundo aqui se refere ao seu sistema corrupto e que fatalmente nos levará para longe da vontade do Senhor. Assim, nós como caminhantes neste mundo não podemos comungar de todos os modelos impostos pelo sistema vigente, afinal, “sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno”(1 Jo 5.19). E como poderei me santificar em meio a um mundo corrompido?Apontaremos três requisitos fundamentais para a santificação do crente e para a conseqüente vitória sobre um mundo corrompido, são eles:
1.    O sangue de Jesus (1 Jo 1.7 ): É através do sangue de Jesus que somos lavados de nossos pecados e podemos novamente ter acesso a presença do Senhor. Desta forma o escritor aos hebreus afirmar que: “E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta”(Hb 13.12). Somente através do sacrifício de Jesus obtemos a carta de liberdade e podemos então ser justificados e por fim santificados!
2.    Pela Palavra de Deus (Sl 119. 11): O salmista afirma que escondeu a Palavra do Senhor em seu coração para não pecar. Da mesma forma nós cristãos atuais e que desejamos viver a plenitude do Reino de Deus, devemos balizar nossas ações através dos padrões da Bíblia. Ela é a bussola que nos conduzirá a uma vida de separação das coisas profanas e nos aproximará do Senhor, por isto Jesus declara aos seus discípulos: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado”(Jo 15.3). É através dela que nos limpamos do pecado e conhecemos a vontade do Senhor. Glórias a Deus por este eficiente mecanismo de santificação proporcionado pelo nosso Deus!
3.    O Espírito Santo (Jo 16.8-13). Quando o Senhor Jesus falava a respeito da obra do Espírito Santo, destacou o importante papel deste agente Divino no convencimento do homem a respeito da sua condição de pecador. Assim, o Espírito Santo seria responsável por guiar os cristãos em “toda a verdade”(Jo 16.13) e isto inclui em fazer o que é do agrado do Senhor. Em escolher a melhor parte (Lc 10.42), ou seja, fazer a vontade do Pai! Sem a ajuda do Espírito Santo não conseguiremos prosseguir na luta contra a carne, é por isso que Paulo afirma que: “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;” (2 Co 10.3,4). Nossas armas são espirituais e são oferecidas pelo Espírito Santo (Rm 8.1; Ef 6.11-18)! Só Ele nos fará vencer as tentações diárias e nos ajudará a conseguir alcançar o padrão de excelência cristã.
Após conhecermos estes agentes que colaboram na santificação do cristão, podemos entrar na questão inicial do texto: até que ponto as vestes contribuem na santificação do cristão?

DO INTERIOR PARA O EXTERIOR
Não é novidade a tentativa de controlar os desejos do pecado através da imposição de uma certa maneira de agir ou vestir. Por conta disto muitos modelos foram criados no decorrer da história do cristianismo, tais como o asceticismo dos monges no século IV, as irmandades que se auto flagelam (como a Opus Dei e outras similares) e muitos grupos peseudocristãos que procuram se manter fora da realidade, vivendo em alguns casos – como as comunidades Amish, nos EUA – isolados do mundo exterior, nos moldes do século XIX. Todas elas têm em comum a busca da santidade através de um sacrifício exterior, acreditando tais ações imporão limites aos desejos internos. Contudo, pela palavra de Deus entendemos que tais ações em nada contribuem no processo de controle do espírito pecador do homem, veja o que nos ensinam as Escrituras: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne (Col 2.20-23)”. Percebam que as normas e regras exteriores não possuem a capacidade de santificar NINGUÉM, conforme já mostramos em tópico anterior. Devemos antes nos submeter ao senhorio de Cristo, à direção dada pelo Espírito de Deus, por isso Paulo nos diz: “Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne” (Gl 5.16, NVI). É o Espírito que nos apontará o caminho certo a seguir, o padrão ideal de santidade, a ponto de que a sociedade veja em nós a imagem de Cristo (Mt 5.13-16).
Por fim gostaria de citar as palavras de um memorável homem de Deus em resposta a tentativa de imposição de normas meramente humana como requisito de santidade: “A ordenança para manifestar humildade e severidade para o corpo servem para satisfazer a carne, o erro, e elas com facilidade arranjam os que se julgam mais santos do que outros, isto resulta em inchação vã, e cria o espírito de fariseus, que é o maior impedimento para as bênçãos de Deus[3]”. Tais palavras foram proferidas pelo missionário sueco Samuel Nystrom, a pedido da Assembléia Geral de obreiros da Assembléia de Deus, realizada em 1947. Vemos que o artigo, em caráter doutrinário e a pedido da convenção geral, traz uma lucidez que espanta a muitos inclusive hoje, mas que denota explicitamente o que a Palavra nos orienta, é por esta razão que o texto inicial utilizado pelo missionário não poderia ser outro além deste: “’Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito', diz o Senhor dos Exércitos”(Zc 4.6b). Glória a Deus pela sua Divina revelação! Assim, o processo de santificação não pode ser entendido do exterior para interior, mas sim o inverso, pois a operação é iniciada pelo Espírito Santo que transforma o homem, o torna uma nova criatura (2 Co 5.17), que não se conforma com os padrões pecaminosos do mundo, antes busca influenciar, transformar e instalar o Reino de Deus aonde quer que esteja (Mt 13.33; Rm 12.1,2)!

 QUAL DEVE SER A ROUPA DE QUEM NASCEU DE NOVO?


Estamos chegando ao ponto crucial de nossa discussão, pois afinal, se é do interior que parte o processo de santificação, então não é preciso que o exterior dignifique a vida do cristão, certo? A resposta é um sonoro não! Esta é uma verdadeira cilada do Diabo para os incautos! Lembremos do que Paulo nos ensinou: "Tudo me é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo me é permitido", mas eu não deixarei que nada me domine (1 Co 6.12)”. No texto em destaque o Apóstolo dos gentios faz uma referência aquilo que se tornava comum entre os corintos, dizer que nada que se fizesse no corpo abalaria o espírito com base em uma falsa liberdade em Cristo. A resposta de Paulo foi significativa, eles eram livres, mas a liberdade em Cristo aponta para uma responsabilidade do cristão, afinal, tudo pode até me ser permitido, mas nem tudo me convém! Devemos como servos de Deus ter esta máxima, quando está envolvido as vestimentas do salvo em Jesus!
Uma questão cultural
Antes de continuarmos com a explanação bíblica sobre a questão, gostaria de salientar a importância das roupas para identidade de vários grupos sociais, pois a partir delas os sujeitos de identificam e interagem de maneira mais satisfatória. E para lançar maior luz sobre o tema, gostaria de compartilhar um comentário exposto pelo teólogo assembleiano Esdras Costa Bentho, no web sítio Teologia Pentecostal:
“[...] No limítrofe de nossas perquirições, torna-se necessário ressaltar que o costume que compõe a tradição da AD, são chamados de folkways, ou seja, “modos do povo” ou “ usos do povo”. Essa forma de costume é traduzido no modo de agir dos indivíduos, formas de conduta, entre eles estão: os modos de se saudarem; as maneiras de se alimentarem; o estilo das construções; os maneirismos de linguagem; o uso de colares, gravatas e outros enfeites. Segundo os sociólogos, essa forma de costume é variável sem que qualquer autoridade constituída os imponha, são relativos e podem ser mudados pela próxima geração. Já os costumes chamados pelos sociólogos de mores são aqueles que surgem sempre de uma necessidade ou problema que uma sociedade ou certos indivíduos enfrentam, estão relacionadas aos aspectos morais e éticos. Os costumes (mores) são maneiras de agir mas prezadas, mantidas com tenacidade e consideradas essenciais ao grupo ou à sociedade, como por exemplo: enterrar os mortos; o dever dos pais na criação dos filhos; e o uso de roupas. Isto posto, as duas espécies de costumes concorrem para o bem estar da sociedade. No entanto, os folkways não trazem qualquer tipo de prejuízo ou escândalo à sociedade, diferente dos mores. Alguém que use um relógio no tornozelo (folkways) não traz qualquer prejuízo à sociedade, ainda que seja considerado excêntrico, mas andar despido (mores) é outra história[4]
Assim entendemos que os costumes que permeiam as Assembléias de Deus são na verdade possíveis de adaptação, e que tornam-se um fator social. Tanto a sua continuidade, como a sua alteração não vão interferir na comunhão do cristão com Senhor, pois os mesmo são fatores sociológicos, contudo muitos irmãos encaram como se nossos “folkways” fossem verdadeiros “mores” e que a menor sombra de mudança o mundo cairia. Mas deixando a questão cultural de lado, voltemos à analise bíblica sobre o padrão de vestimentas para o cristão.
 O que a Bíblia diz sobre as vestimentas
Em primeiro lugar quero ressaltar que as roupas são importantes sim para o Senhor! Se assim não fosse, no Jardim do Éden, após a queda, o homem e a mulher continuariam vivendo nus (Gn 2.25), porém a definição do nosso Deus foi diferente, vejamos: “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu. (Gn 3.21). Percebam que o próprio Deus produziu roupas que cobririam o corpo dos seres humanos caídos! E mais, Ele poderia ter feito roupas que deixassem o corpo amostra, porém, o texto nos diz que foram túnicas. Segundo o dicionário bíblico Wycliffe: “a túnica [...] era uma peça principal e comum usada sobre a pele por homens e mulheres; era uma peça longa [...][5], ou seja, não era um modelito sensual, antes era uma vestimenta que garantisse o pudor para aqueles que as usassem.
Temos ainda outros exemplos que o próprio Deus ordenara, como no caso das vestes sacerdotais. Primeiro, ele proibiu altares elevados, para que a nudez do sacerdote não fosse exposta (Êxodo 20:26). Mais tarde, ele acrescentou outra instrução para melhor evitar esse tipo de problema. Ele ordenou que os sacerdotes usassem calção em baixo de suas túnicas para cobrir a sua nudez (Êxodo 28:40-42). Deus especificou que o calção iria "da cintura às coxas". Deus não queria que esses servos mostrassem as coxas expostas ao mundo. É claro que estes exemplos não estão nos dizendo para fazermos roupas como os modelos orientais, porém nos deixa o princípio de que devemos ter pudor ao escolher nossas vestimentas de maneira tal que nome do Senhor seja glorificado.
1.    Roupas de homens e mulheres?
Um texto muito utilizado por quem defende o uso exclusivamente de saias e vestidos pelas servas de Deus é este: “Não haverá traje de homem na mulher, e nem vestirá o homem roupa de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus (Dt 22.5)”. Contudo é bom deixar claro que o texto em destaque não faz uma referencia exclusiva a um modelo de roupa como calça para homens e vestidos para mulheres. Antes ele destaca um princípio que se mantêm no Novo Testamento: a homossexualidade (1 Co 6.9,10). Aqui vemos claramente que o principio Divino é que os homens mantenham diferenças em suas vestimentas das mulheres e vice e versa. Um exemplo atual bem clássico são os transformistas, metrossexuais e etc. São padrões fortemente condenados pelo Senhor (Rm 1.24-27). Norman Geisler ainda complementa esta idéia ao dizer: “Sem roupas e comprimento de cabelos distintivos, os sexos poderiam ser mais facilmente confundidos, e as fronteiras da impropriedade social e moral seriam mais facilmente transgredida. É claro que a definição quanto a que roupas são masculinas e quais são femininas em grande parte é determinada pela cultua. Mas, de qualquer modo, os travestis por isso se enquadram na abominação[6]”.
Seguindo este principio podemos entender o texto de 1 Timóteo 2.9 que nos diz: “Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras (1 Tm 2.9,10)”. Não há definição específica de um modelo de roupa (calça, vestido, macacão e etc.), porém o texto é bem claro quando diz TRAJE HONESTO. Segundo o dicionário Vinne a palavra grega traduzida aqui é KATASTOLE, que é entendido como uma túnica cumprida, mas que alguns entendem como um modelo que cubra o corpo e não marque as curvas tanto das mulheres - como é a finalidade precípua do texto - como para homens que interpretamos assim por inferência.
Outro ponto a destacar é a lascívia[7], que pode ser entendida como provocar desejos através da sensualidade. Tem se tornado a cada dia mais comum mulheres e homens que se vestem sensualmente dentro de nossas igrejas. Independente do modelo de roupas (vestidos, saias ou calças) a atenção deve estar voltada para evitar a lascívia. Muitas mulheres não usam calças na igreja, mas em compensação utilizam vestidos ou saias que marcam completamente suas curvas e em alguns casos são tão apertados que elas ficam sem poder sentar, pois mostrariam “tudo”, ou andam o tempo todo tentando esticar o que em sua essência é mínimo. Em contrapartida, em denominações onde o uso de calças é comum, ocorre algo similar, pois algumas irmãs (sem intenção ou com ela) utilizam calças que mostram tudo o que não deveria de acordo com os padrões cristãos, na verdade são modelos de roupas que só vemos pela televisão nos chamados bailes Funks. O problema maior, a meu ver, não é o modelo, mas principio. É preciso haver modéstia e temperança. Afinal, a sensualidade, tanto para homens como para mulheres, não agrada ao Senhor! Devemos ser santos em tudo (1Ts 5.23)!
Desta forma entendemos que o padrão bíblico para o cristão se vestir segue um modelo, vejamos: deve cobrir o corpo (Gn 3.21), ser diferente para homens e mulheres (Dt 22.5;1 Co 6.10), que tenha um comprimento suficiente para não marcar as curvas do corpo (1 Tm 2.9) e que não faça o seu irmão (ã) pecar através da lascívia (Gl 5.19-23).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

 A partir deste raciocínio o cristão deverá escolher uma roupa adequada e que glorifique ao Senhor. Devemos ainda entender que não é porque a televisão apresenta um modelo de roupa que agora todos nós devemos seguir, não esqueçam que o mundo está constantemente sendo influenciado pelas astutas ciladas do inimigo (1 Jo 5.19). É urgente que nossas igrejas mantenham uma posição firme no ensino bíblico da santificação em todas as esferas (1 Ts 5.23), afinal, liberdade não implica em libertinagem!
É através do ensino da Palavra de Deus que veremos as mudanças ocorrerem e ela condena de forma enfática a sensualidade e nós não temos o direito de nos omitirmos com um pretexto de falsa liberdade. Ao mesmo, tempo não podemos incorrer no pecado do farisaísmo, impondo regras por simplesmente acreditar que as coisas devem ser assim (Cl 2.20-23). O padrão é a Palavra dentro de seu contexto! É hora de estabelecermos princípios bíblicos e voltarmos para a santidade, pois sem ela ninguém verá ao Senhor (Hb 12.14)!
Que o Senhor nos ilumine neste propósito,

Em Cristo, Jefferson Rodrigues

Referencial Bibliográfico:

ARAÚJO, Israel. Dicionário do movimento pentecostal. 1º edição, Ed. Casa Publicadora das Assembleias de Deus- CPAD, Rio de Janeiro, 2007

GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições da Bíblia. Ed. Mundo Cristão, São Paulo,1999.

GILBERTO, Antonio et Al.Teologia Sistemática. 2º Edição, Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembléias de Deus- CPAD, 2008

VINE, W.E., UNGER, Merril F. Et ali. Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e Novo Testamento. 1º edição, Ed. Casa Publicadora das Assembleias de Deus- CPAD, Rio de Janeiro, 2002.

WILLIAMS, J. Rodman. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal.  Editora Vida. São Paulo, 2011. p 417-419.



 NOTAS:
[1] VINNE, 2012, p.970

[2] GILBERTO,2008, p.365

[3] Samuel Nystrom, citado por Israel de Araujo, Dicionário do movimento pentecostal, CPAD, p. 882

[4] Esdras Costa Bentho, em comentário no texto Doutrinas, usos e costumes. Disponível em: <www.teologiapentecostal.com/2007/08/doutrina-usos-e-costumes.html> <acesso em: 09/06/2014, às 13h35>

[5] Dicionário Bíblico Wycliffe, 2011, p.2003

[6] Geisler, 2010, p.135


[7] Segundo nota da Bíblia de Estudo Pentecostal, p.1802,  lascívia é sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e a decência.