Por Jefferson Rodrigues
Texto base: “Meus
filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém,
alguém pecar, temos um intercessor [advogado] junto ao Pai, Jesus Cristo, o
Justo” (I Jo 2.1, NVI)
* Nota: Este texto foi publicado neste blog originalmente em 21/07/2012, porém, nunca foi tão atual! Espero que edifique sua vida, como tem me edificado hoje, 4 anos após sua publicação inicial.
Esta semana, durante o serviço de
rotina, no turno da tarde, me deparei com um caso que me fez refletir sobre até
onde pode ir o sentimento de culpa em uma pessoa, em especial, em nós cristãos.
O caso foi o seguinte:
Por volta das 16:00h seguiamos por
uma importante avenida da zona Sul de Teresina, o trânsito muito intenso,
quando ao longe minha equipe e eu contemplamos um aglomerado de pessoas, já nos
questionavamos sobre o que seria, talvez um assalto, uma briga, ou o mais
provável, um acidente de trânsito. Não era nada disso. Sentada no meio fio,
sendo consolada por um homem com um uniforme de uma empresa, de cor azul,
estava uma jovem que não tinha mais que 20 anos, branca, de cabelos negros, com
o aspecto frágil, pele pálida e aparentando uma forte opressão. Aquela jovem
que poderia estar vivendo o auge de sua vida, que poderia ser um exemplo de
felicidade, de vigor, acabara de tentar o suicidio!
Foi uma cena chocante e ao mesmo
tempo reflexiva. Sabe aquele homem que a consolava quando chegamos? Era um servo
de Deus que passava pelo local e agora orava por ela, mostrava que ela tinha
valor para Deus, e nada do que ela tinha feito importava mais para o Senhor,
dizia que alguém a amava mais que qualquer pessoa na Terra, este alguém era
Jesus. Neste momento, uma manifestação demoniaca aconteceu, a jovem
começou a salivar, a se contorcer ao chão, meus companheiros de trabalho
ficaram assustados – estavam acostumados com outros tipos de situações. Mesmo
com esta cena posta, um pequeno círculo de oração se fez naquele lugar - já não
parecia uma ocorrência policial, mas sim espiritual! Foram momentos de orações
e através da misericórdia do Senhor aquela jovem retornou as suas faculdades
naturais, estava liberta daquela opressão demoniaca. Algo surpreendente aconteceu,
pois, sentada ali mesmo, no meio fio de uma grande avenida, aquela
jovem abraçou o irmão e chorou. Diante de um grupo de curiosos confessou a
Jesus como Senhor de sua vida, e já não parecia tão frágil.
Logo seu irmão chegou, alguém havia
informado à seus familiares. Não me contive, queria esclarecer a dúvida que me
pertubava. De início perguntei se a garota tinha crises depressivas constantes.
Prontamente me veio um sim. Logo emplaquei outra pergunta, que na realidade era
o que eu queria saber. Perguntei se era probelma com namorado e o jovem
respondeu positivamente. Não tive dúvidas em constatar, que aquele caso
tratava-se de mais um em que jovens não sabem lidar com o namoro ou com o
pecado ocasionado com o namoro, quando este namoro não está na vontade do
Senhor. É ai que o inimigo se aproveita da fragilidade humana e mostra que nada
vale apena, e diz que o melhor seria morrer. ( I Pd 5.8)
Eu não sei o que houve com aquela
garota, sei porém, que o amor do Senhor lhe foi apresentado e que a misericordia
de Deus à alcançou, pois se assim não fosse, ela teria conseguido atingir seu
objetivo inicial, morrer. Ficou uma indagação em meu coração: como nossos
irmãos, em especial jovens, lidam coma queda ou com a possível falha na
caminhada cristã? Aquela jovem talvez não conhecesse a Jesus (confesso que não
sei), mas os nossos irmãos, como suportam isso sem ceder as investidas do
inimigo?
Não pretendo de forma alguma apontar
uma formula mágica contendo a receita exata de como lidar com esta situação.
Nem quero expor aqui um debate exegético sobre o tema. Quero porém levantar
este questionamento, esta possibilidade. Pois o que é posto em nossas igrejas é
a infalibilidade do cristão. O viver em santidade deve ser a regra do cristão,
porém como agir se houver a excessão de falhar?
Meus amados, quisera eu viver num
estado pleno de santidade! Infelizmente todos os dias estamos sujeitos as
tentações da carne, as investidas do inimigo de nossas almas (Jo 10.10) e
podemos sim, num momento, em que estivermos desatentos, falhar. O importante,
porém é saber que, ainda que não sejamos perfeitos, o Senhor nos ama e está
disposto a nos perdoar. Ele mesmo nos ensinou a perdoar infinitamente (Mt 18.
21,22). No entanto, é necessário reconhecer nosso erro e mudar de atitude,
buscar forças no Senhor, afinal, é Ele que nos concede o livramento (I Cor
10.13), é Ele que nos fortalece quando estamos fracos (II Cor 12.10) e é dEle
que vem o nosso socorro ( Sl 121.1). A misericórdia do Senhor é tão imensa que
Ele enviou um servo dEle, em meio a uma avenida, em pleno horário de trabalho,
para livrar aquela garota. O Senhor tem um cuidado especial. Deus não usou
aquele irmão para condenar a jovem, mas usou para levar uma mensagem de
libertação para aquela pessoa que tanto precisava. Assim o Senhor faz conosco,
mostra o seu infinito Amor (Jo 3.16) e nos perdoa e ainda nos garante a
salvação! (Jo 8.11).
Com isso, não estamos concordando com
o pecado, pois sabemos que o Senhor é Santo (I Pedro 1.16) e devemos
buscar esta santidade. Mas concordamos com João ao dizer que escrevia tais
coisas para que os servos do Senhor não pecassem (I Jo 2.1), porém, se por uma
infelicidade, por uma falha, por uma fraqueza, eles vacilassem, não deveriam
suicidarem-se, nem fisicamente, nem espiritualmente como muitos fazem
abandonando de vez o convívio com o Senhor. Antes, porém, deveriam lembrar que
tinham um advogado, alguém pronto a interceder por eles, era Jesus Cristo, o
Justo. Lembre-se fomos comprados por um alto preço ( I Cor 7.23) e o nosso
resgate foi pago com preço de sangue ( I Pd 1.18), portanto, somos especiais
para Deus e a semelhança do filho pródigo (Lc 15.11) que foi beijado e abraçado
pelo Pai quando retornou para casa, assim somos nós quando percebemos qual
é melhor lugar para estar e este lugar sempre será na casa do Pai!
Em Cristo,
Jefferson Rodrigues
