sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Apocalipse: Igreja de Laodicéia e suas lições.



Texto base: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;”(Apocalipse 3.17)

O Livro do Apocalipse (Revelação) ainda traz muitas discussões e até mesmo dificuldade em sua interpretação. Em parte isto acontece devido ao simbolismo utilizado nas descrições vistas pelo apóstolo João, e por outro lado devido às diversas especulações realizadas pelos teólogos através dos séculos. Neste artigo teremos como foco a Carta enviada a Igreja localizada em Laodicéia na Ásia menor.

Laodicéia era uma região próspera financeiramente, onde prevalecia o comércio e a indústria de tecelagem, além de sua medicina que produzia colírios classificados como os melhores no mundo grego. Neste mundo de aparente tranqüilidade, emerge uma Igreja que não foi digna de receber nenhum elogio por parte do Senhor Jesus. Mas quais foram seus erros? E como foram advertidos? Tinha solução para seus problemas? Vejamos então:

1. Pobreza não é sinônimo de salvação, nem riqueza de condenação.

Antes de continuar com a situação da Igreja em Laodicéia, abro um parêntese para expor que riqueza ou pobreza não faz de uma pessoa apta para o Reino de Deus. Mas devemos ressaltar, de forma enfática, que a Palavra de Deus condena o amor ao dinheiro, sendo este considerado a raiz de todos os males (1 Timóteo 6.10). Outro aspecto condenado é o apego as riquezas esquecendo-se do amor ao próximo e das coisas celestiais(Mateus 6:33), por esta razão Jesus advertiu que “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. (Mateus 6.21). Por fim, falo aos irmãos que o Senhor Jesus está pronto a nos abençoar e a fazer de nós uma geração próspera e não apenas rica! A prosperidade é bem mais ampla que a riqueza, pois inclui felicidade, saúde, paz e certeza da vida Eterna. Você pode ser um cristão rico, mas use esta condição para abençoar os irmãos mais necessitados (Felipenses 4.17,18), para anunciar o Reino onde estiver, fazendo assim temos esta promessa: “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.”(Filipenses 4.19)

2. Uma Igreja morna (Apocalipse 3.16)

Já ouvimos diversas referências aos versículos 15 e 16, onde o autor trata sobre a advertência de ser frio ou quente e que Laodicéia era morna. Muitos interpretam o ser frio, como sendo aqueles que nada produzem ou fazem para o reino de Deus e quentes como aqueles cristãos ativos na obra. É uma alusão aceitável, mas de acordo com o contexto, entendemos que Jesus adverte aquela Igreja sobre a sua indiferença, já que a alusão feita se refere às águas que chegavam àquela cidade, conforme nota apresentada sobre o tema, na Bíblia de Estudo Aplicação pessoal. Apesar de sua riqueza a região onde estava localizada a cidade de Laodicéia sofria com a falta de água, para sanar esta situação, ela era abastecida através de aquedutos que vinham de fontes quentes, contudo, ao chegar à cidade, a água estava em condições impróprias para o consumo, no caso morna. Seguindo esta linha de raciocínio, vejo com clareza que o problema não estava na frieza, já que a água fria seria útil para o consumo, nem em ser quente, já que serviria para abastecer os banhos termais da cidade, ou ser utilizada para cozer alimentos, tanto que Jesus diz: “Tomara que foras frio ou quente!” (v.16). O maior problema estava na mornidão, que não teria utilidade, por isto Jesus afirma que vomitaria aquela Igreja (Apocalipse 3.16). A indiferença, a falta de utilidade, a vaidade daqueles foram apontados como razão para que o Senhor “vomitasse” aquela Igreja.

3. Rico sou! (Apocalipse 3.17)

Podemos dizer como muitos dizem em nossos dias: “Sou jovem, bonito, tenho um futuro imenso pela frente. Por que vou ligar para esta história de Igreja, de Jesus?” A Igreja (Igreja?) de Laodicéia estava afundada em sua vaidade, em sua riqueza, acreditavam não precisar do Dono da Igreja (Jesus). A auto suficiência tem destruído milhares de homens e mulheres no decorrer da história, muitos são os exemplos, como John Lenon, Steve Jobs, Friedrich Nietzsche e tantos outros que negam sua dependência de Deus e infelizmente vivem um vida desregrada que trazem conseqüência no físico e principalmente no espiritual. Jesus nos traz a advertência: Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12.20). De sorte que chegará o Dia em que não haverá mais opções para os homens e mesmo os que rejeitaram terão que dobrar-se ante a glória de Deus (Filipenses 2.9-11), infelizmente se curvarão para ouvir a sentença da condenação eterna (Apocalipse 20.11-15).

Os irmãos em Laodicéia se vangloriavam de serem ricos, de possuírem templos suntuosos, mas Jesus os advertiu e disse que eles eram desgraçados, miseráveis, e pobres, e cegos, e nus (Apocalipse 3.17)! A orientação do Mestre é para que possamos depender dEle, independente de nossas riquezas, pois quando o deixamos podemos até ter riquezas materiais, mas isto não é, e nem será sinônimo de prosperidade bíblica. Paulo nos ensina que a dependência do Senhor é o que nos faz forte (2 Coríntios 12.10) e a verdadeira razão para termos algo ou para sermos alguém é a existência em Cristo (Romanos 11.22). Lembrai-vos que “[...] a alegria do Senhor é a vossa força”(Neemias 8.10b) e ainda “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.(Romanos 11.36)

4. Convite a mudança (Apocalipse 3.20)

“Deus é amor” (1 João 4.8b)! O Amor de Deus por nós se mostra através de sua constante exortação para não deixarmos sua maravilhosa presença (2 Pedro 3.9). Ao finalizar sua exortação à Igreja de Laodicéia o Senhor apresenta seu amor por aquela Igreja e afirma que repreende e disciplina a quem ama (Hebreus 12.6, Apocalipse 3.19). Ainda que você esteja se afastado do Senhor, saiba que Ele te ama e deseja tê-lo (a) perto. Talvez a sua provação seja uma advertência para que suas ações sejam mudadas!

Por fim, o convite é lançado: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” (v.20). Muitos entendem este convite como exclusivo àqueles que não conhecem a Cristo. Entenda, Jesus se dirige para pessoas que dizem conhecer a Ele, a uma Igreja. É preciso ter consciência das atitudes tomadas, independente de estar na Igreja ou fora dela. Jesus expressa seu Amor através deste convite para entrar em nossas vidas e a partir deste ponto vivermos em plena comunhão com o amado Senhor. É um convite a dependência dEle, a figura da ceia, da alimentação é uma referência clara a intimidade necessária a todos aqueles que dizem conhecer o Mestre.

Conclusão:

Aprendemos com a Igreja de Laodicéia algumas lições, uma delas é a necessidade de nos tornarmos úteis para o Reino de Deus e ainda que, nunca seremos ricos sem a presença de Cristo. Aprendemos que a vaidade, a auto-suficiência e o egoísmo nos afastam cada vez mais da presença de Jesus. Contudo, mesmo sendo repreendidos pelo Senhor, Ele nos ama e faz o convite para fazer parte de nossas vidas. Deixe o Mestre entrar em sua casa e ceiar com você todos os dias de sua vida!

Humildemente em Cristo,

Jefferson Rodrigues

Um comentário:

  1. Obrigado a Deus e a você amado editor, terminei de preparar um estudo bíblico sobre este tão importante assunto. Paz!

    ResponderExcluir

Caros irmãos fiquem a vontade para concordar, discordar, criticar e elogiar. Apenas peço que o façam com base na Palavra de Deus. Lembro a todos que os comentários que forem ofensivos serão removidos, pois nosso espaço é para reflexão e não agressão. No mais fiquem a vontade!